- O ministro Dias Toffoli, do STF, alterou ao menos três vezes, em cerca de 24 horas, decisões sobre as provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, ligada ao Banco Master.
- Inicialmente, Toffoli determinou que bens, documentos e aparelhos fossem lacrados e enviados à sede do STF, sem acesso externo, até nova decisão.
- Depois, houve orientação para manter celulares e computadores carregados e desconectados da internet, para reduzir riscos técnicos durante a perícia.
- Diante de críticas da PF e do Ministério Público e pedidos de revisão, Toffoli recuou e mandou o material à PGR para análise.
- Em novo recuo, autorizou que a PF tenha acesso às provas sob supervisão de quatro peritos indicados por ele, permitindo a participação da PF na extração de dados.
O ministro Dias Toffoli, do STF, alterou ao menos três vezes, em cerca de 24 horas, as decisões sobre o destino das provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta e ligada a suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. As mudanças ocorreram após críticas de investigadores, pedidos formais da PF e da PGR, além de questionamentos técnicos sobre a perícia.
As alterações começaram com a decisão de lacrar e enviar todos os bens, documentos e aparelhos para a sede do STF, mantendo o material sob custódia do tribunal até nova deliberação. A prática visava preservar as provas para perícia pelas autoridades competentes.
Poucas horas depois, Toffoli orientou que celulares e computadores ficassem carregados e desconectados da internet, para reduzir riscos técnicos durante a guarda dos dados. A medida provocou reação na PF, que temia danos à investigação pela demora na extração de dados.
A PF tratou de pedir a reconsideração e questionar a capacidade técnica do STF para conduzir perícias digitais complexas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também pediu revisão, defendendo que a extração seja feita pela PGR para assegurar avaliação adequada dos fatos.
Toffoli recuou novamente, determinando que o material seja enviado à PGR para análise, com o objetivo de obter uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções identificados até então. A decisão foi alvo de questionamentos entre as autoridades.
Na quinta-feira, houve novo recuo: Toffoli autorizou que a PF tenha acesso às provas, mesmo com o material custodiado pela PGR. Quatro peritos indicados pelo ministro passaram a acompanhar a extração e a perícia, em caráter nominal.
Entre os itens apreendidos estão carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e um revólver. Os alvos incluem Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, familiares próximos e empresários ligados a fundos de investimento.
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