- A Polícia Federal prendeu Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro de 2025, o mesmo dia em que o banco foi liquidado.
- A investigação apura um esquema bilionário de emissão e negociação de créditos potencialmente fraudulentos envolvendo o Master e outras instituições, com fraude estimada em 12,2 bilhões de reais.
- Lima atuou como ex-CEO do Master e é apontado pela PF como figura relevante por ter introduzido o cartão de crédito consignado Credcesta, considerado pilar da estratégia do banco.
- Em maio de 2024, Lima deixou a sociedade do Master, transferindo 18,62% do capital a Daniel Vorcaro; em agosto de 2025 passou a controlar o Banco Pleno S.A. (antigo Banco Voiter).
- A relação entre Lima e Vorcaro é apontada por fontes como não próxima; a operação do Credcesta teve papel central na expansão do Master, especialmente em 2019, com atuação em 176 municípios de 24 estados.
A Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e também deteve Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro. Lima já havia deixado o Master em 2024 e teve prisão preventiva decretada em 18 de novembro de 2025, o mesmo dia em que o banco foi liquidado. A investigação apura um esquema bilionário envolvendo emissão e negociação de títulos de crédito fraudulentos vinculados ao Master e a outros agentes financeiros.
A PF investiga a atuação de Lima, apontando-o como figura relevante por ter introduzido o Credcesta no portfólio do Master. O cartão de crédito consignado tornouse fundamental para a estratégia do banco, que expandia esse negócio sob sua gestão, inclusive após deixar a sociedade. Em 2025, o Credcesta já operava em dezenas de cidades de diversos estados.
Contexto financeiro e desdobramentos
A fraude é estimada em 12,2 bilhões de reais e pode ser ainda maior, segundo autoridades. O caso surgiu após a aquisição do Master pelo BRB, o Banco de Brasília, o que motivou a PF a investigar irregularidades no mercado de títulos de crédito. Além de Lima, outros executivos foram alvo de prisão na operação.
Lima deixou o Master formalmente em maio de 2024, transferindo suas ações para Vorcaro, correspondentes a cerca de 18,6% do capital. Contudo, em janeiro de 2026, o nome dele ainda aparecia como diretor do Master no site da Receita Federal, conforme reportado pela imprensa.
Trajetória de Lima e ligações com o setor público
A ascensão de Lima no setor financeiro começou com a aquisição da Ebal, estatal baiana, em 2018, durante a privatização promovida pela gestão do PT. O Credcesta ganhou adesão entre servidores públicos locais a partir de 2019, consolidando-se como um dos ativos mais rentáveis do Master.
Interlocutores ouvidos pela CNN Brasil indicaram que o vínculo entre Lima e Vorcaro não era próximo. Segundo essas fontes, Lima solicitou a saída da sociedade após tomar conhecimento de operações questionáveis no banco.
Giro recente e relações políticas
Em 2024, Lima liderou a aquisição do Banco Voiter (antigo Indusval), após a saída do Master, transformando-o em Banco Pleno S.A. O Banco Central aprovou a transferência de controle em 2025, e Lima assumiu a instituição, além de manter a custódia do Credcesta via o Pleno. A operação gerou questionamentos sobre a atuação do BC e o controle do Voiter.
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