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Doge compartilha indevidamente dados do Seguro Social, afirma DoJ

Operação Doge de Musk compartilhou dados sensíveis do Social Security com grupo político, levando a apurações por violação de normas e uso indevido de informações

Elon Musk speaks in the Oval Office on 30 May 2025.
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  • Justiça dos EUA, em apresentação ao tribunal, reconheceu que integrantes do Doge—operação de suposto enxugamento de custos de Elon Musk—acessaram e compartilharam de forma imprópria dados sensíveis da Previdência Social de americanos.
  • Documento afirma que houve um acordo secreto de compartilhamento de dados com um grupo de defesa política não identificado, destinado a encontrar evidências de fraude eleitoral e reverter resultados em alguns estados.
  • Administração de Segurança Social informou que só descobriu o acordo durante uma revisão não relacionada, em novembro, e encaminhou possíveis violações do Hatch Act para investigação.
  • O documento aponta que membros do Doge trocaram dados entre si via Cloudflare, servidor de terceiros não autorizado, e que não se sabe exatamente que informações foram transmitidas ou se ainda existem no servidor.
  • Segundo o documento, um funcionário do Doge enviou um arquivo criptografado com nomes e endereços de aproximadamente 1.000 pessoas, derivado do sistema de seguridade social, sem confirmação de conteúdo.
  • Representantes democratas ganharam reforço, pedindo acusações formais contra os responsáveis, citando a necessidade de responsabilização pelo uso indevido de dados públicos.

O Departamento de Justiça revelou, em um arquivo judicial federal, que funcionários da suposta operação de contenção de custos liderada por Elon Musk acessaram e compartilharam indevidamente dados sensíveis de cidadãos americanos. A afirmação, presente em processo em curso, mostra que um integrante do que seria o “department of government efficiency” (Doge) assinou um acordo secreto de compartilhamento de dados com um grupo político sem identificação, com suposto objetivo de verificar fraude eleitoral.

A Administração Trump havia negado o episódio, mas o texto do tribunal indica que o acordo ocorreu em março e foi descoberto pela SSA apenas durante uma revisão não relacionada, em novembro. A SSA encaminhou duas possíveis violações do Hatch Act ao Office of Special Counsel para investigação.

O documento aponta que membros do Doge compartilharam dados entre si via Cloudflare, servidor de terceiros não autorizado, sem que a SSA soubesse exatamente o que foi transmitido ou se ainda existe no servidor. Um arquivo criptografado e protegido por senha teria sido enviado a Steve Davis, identificado como assessor sênior do Doge, contendo nomes e endereços de cerca de 1.000 pessoas.

A SSA informou que não tinha conhecimento prévio do acordo e que, ao revisar registros, identificou ações que podem ter violado políticas internas ou a ordem judicial de 20 de março de 2025. O texto cita também acessos a sistemas além do informado anteriormente, como cadastros de funcionários e informações de acesso.

Em abril, mais de duas dezenas de funcionários federais relataram à Guardian e a What a Day que operações do Doge teriam gerado vigília, gravação de reuniões e uso de IA para mapear deslealdade, gerando ambiente de pressão entre trabalhadores. A operação foi lançada no início da gestão Trump, com promessas de combater suposta fraude em benefícios.

Antes, a SSA vinha defendendo que não havia evidência de comprometimento de dados. Em agosto, o ex-diretor de dados Charles Borges alertou o Congresso sobre o armazenamento inseguro; a agência, na ocasião, afirmou não ver compromissos no ambiente. As novas informações mudam esse entendimento, segundo o documento.

As informações chegam após processo movido em fevereiro por sindicatos e um grupo de defesa, buscando impedir o Doge de ter acesso a dados da seguridade social. Um juiz federal havia barrado temporariamente o acesso, afirmando que o Doge buscaría indícios de fraude com base em suspeitas, decisão que foi posteriormente suspensa pelo Supremo.

Representantes do Congresso reagiram ao novo filing. O deputado John Larson, de Connecticut, e o deputado Richard Neal, de Massachusetts, classificaram as revelações como motivo para investigações criminais e pediram atuação firme contra quem tenha violado a confiança pública.

Quem participou e como agiu, segundo o documento, permanece parcialmente desconhecido, com mais de uma pessoa identificada apenas por função. A SSA não detém confirmação sobre o conteúdo completo do material transmitido nem se restam cópias acessíveis.

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