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CDC pretende banir mensagens “nunca use sozinho” em prevenção de overdoses

CDC pode proibir mensagem “nunca use sozinho” em redução de danos, afetando financiamentos OD2A e implementação de políticas

The Centers for Disease Control and Prevention headquarters in Atlanta, in 2014.
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  • Oficiais da CDC sugeriram que os beneficiários de financiamentos de prevenção de overdoses não poderão mais promover a mensagem “never use alone” (nunca use sozinho).
  • A discussão ocorreu durante uma reunião deste mês, com o objetivo de alinhar os recursos do programa Overdose Data to Action (OD2A) às ordens executivas da administração, incluindo a ordem de julho sobre segurança nas ruas.
  • A instrução aponta que qualquer incentivo ao uso de drogas pode ser proibido para financiamentos federais, gerando dúvidas entre autoridades locais sobre a continuidade da comunicação da mensagem.
  • Narcan (nascimento de reverse da overdose) e tiras de teste de fentanil devem continuar permitidos, o que cria contradição com a definição de redução de danos na prática.
  • Especialistas destacam que a mensagem “never use alone” é associada a reduzir mortes por overdose pela promoção de conexão e suporte, enquanto órgãos oficiais destacam preocupações legais e de diretriz.

O CDC avalia que financiamentos destinados à prevenção de overdoses não podem mais apoiar mensagens que incentivem a “never use alone” (nunca use sozinho). A mudança decorre de instruções executivas da administração federal para alinhamento com ordens executivas recentes.

Participantes de uma reunião com autoridades do OD2A (Overdose Data to Action) foram informados de que conteúdos que possam encorajar o uso de drogas deverão ser evitados com os recursos federais. A sessão ocorreu neste mês, segundo documentos obtidos pelo Guardian.

A reunião teve como objetivo trazer os beneficiários do OD2A para conformidade com as ordens do governo. Entre elas, a ordem de julho que versa sobre acabar com crimes nas ruas, aponta restrições a iniciativas de redução de danos financiadas pelo governo.

Funcionários presentes disseram que tudo que puder ser interpretado como incentivo ao uso de drogas é proibido para os recursos. Perguntas de departamentos de saúde estaduais e municipais indicaram dúvidas sobre manter a mensagem “never use alone”; ainda não houve resposta definitiva.

Um porta-voz do Department of Health and Human Services afirmou o compromisso de implementar as ordens executivas do presidente em todo o órgão. A Casa Branca não detalhou mudanças adicionais no programa OD2A durante a reunião.

A médica Jennifer Hua, de Chicago, destacou que a mensagem integra o que chama de “harm reduction 101”, com foco em carregar Narcan e manter a vigilância de substâncias. Ela aponta incoerência entre a proibição e a permissão a Narcan e aos testes de fentanyl.

Beletsky, professor da Northeastern University, criticou a distinção entre intervenções consideradas harm reduction e o enquadramento mais amplo da política. Ele lembra que Narcan e tiras de teste já foram amplamente promovidos por organizações de redução de danos.

Organizações de redução de danos frisam que o uso de Narcan e tiras de teste está associado à mensagem de não usar sozinho. Segundo Hua, a prática de levar Narcan está ligada à necessidade de alguém presente para intervir.

Hua citou que, regionalmente, algumas áreas de Chicago mostraram queda significativa de overdoses em 2024, em bairros onde o uso ocorre mais ao ar livre. Ela ressaltou que isolamento é um fator crítico na mortalidade por overdose.

Beletsky observou que o tema envolve equilíbrio entre medidas eficazes e a retórica oficial. Ele teme retrocesso nas tendências de queda de overdoses se houver recuo nas ações de redução de danos.

Kolodny, da Brandeis University, argumenta que a discussão distrai da necessidade de ampliar o financiamento para prevenção, tratamento e infraestrutura. Ele aponta que os contratos atuais são de dois anos, dificultando uma política abrangente.

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