- O curador sênior da Galeria de Arte de Ontário (AGO) pediu demissão, assim como dois membros voluntários do comitê de acervos, após a votação contra a aquisição de obra de Nan Goldin.
- A AGO desistiu de comprar Stendhal Syndrome (2024) em parceria com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center, em meio a acusações de antisemitismo ligadas a declarações de Goldin.
- A decisão contrária foi tomada por 11 votos a 9 em uma comissão de curadoria de arte moderna e contemporânea; as outras duas instituições seguiram com a aquisição.
- Um memorando interno, obtido pelo The Globe and Mail, citou que houve alegações de que falas de Goldin em discurso de 2024 seriam ofensivas e antissemitas, gerando controvérsia entre os membros do comitê.
- Goldin afirmou que a decisão é uma violação à liberdade de expressão e que o debate envolve questões políticas sobre Palestina, Zionismo e antisemitismo, destacando que a situação ocorreu no Canadá sem apoio explícito a ela.
A Art Gallery of Ontario (AGO) viu decisões em torno da aquisição da obra Stendhal Syndrome, de Nan Goldin, levar à saída de um curador sênior e de dois membros voluntários da comissão de acervo. A medida ocorreu após a votação contra a aquisição.
Segundo um memorando interno obtido por veículos de imprensa, membros da comissão alegaram que falas feitas por Goldin em 2024 sobre Gaza e Libano foram ofensivas e antissemíticas. O grupo, no entanto, divergia sobre o enquadramento dessas falas.
A AGO planejava comprar a obra em parceria com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center de Minneapolis, mas retirou-se da negociação em meados de 2025 após votos contrários na comissão. A VAG e o Walker continuaram com a aquisição.
O curador de arte moderna e contemporânea John Zeppetelli teria participado da pressão a favor da aquisição e acabou deixando o cargo, mantendo vínculo como curador convidado em outras atividades do museu. Dois membros da comissão também deixaram seus cargos voluntários.
O episódio ocorre em meio a debates sobre liberdade de expressão, censura e posicionamentos políticos no setor público, com Goldin defendendo discursos a favor de palestinos e criticando o que chamou de ocupação. O AGO disse que revisará o encontro da comissão para evitar interferências políticas.
A instituição informou que as práticas de aquisição são minuciosas, documentadas e transparentes, e que o episódio levará a um “reset” no processo, com foco maior nos critérios de aquisição e na abertura a múltiplas perspectivas.
Goldin afirmou que o episódio mostra resistência à fala artística e criticou o envolvimento de grupos de influência na decisão, destacando que a situação atinge diretamente artistas que defendem povos oprimidos. A artista também disse estar surpresa com o que ocorreu no Canadá.
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