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Moraes veta plano da Marinha ligado a ex-comandante condenado por golpe

Moraes veta plano da Marinha para ex-comandante Garnier; atuação técnica ligada às finalidades das Forças Armadas é juridicamente impossível

Almir Garnier durante depoimento ao STF sobre a sua participação na trama golpista. O militar é um dos réus do chamado núcleo crucial do golpe. Foto: EVARISTO SA / AFP
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  • O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o plano de trabalho apresentado pela Marinha para o ex-comandante Garnier.
  • Garnier foi condenado a 24 anos de prisão por crimes relacionados à trama golpista.
  • Moraes afirmou que a participação em atividades ligadas às finalidades constitucionais das Forças Armadas é juridicamente impossível, desarrazoada e inadequada.
  • O plano previa funções de alta complexidade técnica; o ministro disse que autorizá-las seria facilitar o aperfeiçoamento das Forças Armadas, o que não é compatível com a pena.
  • Moraes autorizou o deslocamento com escolta ao Hospital Naval de Brasília para exames médicos, por falta de estrutura na unidade prisional, e determinou que o Comando de Operações Navais apresente novas possibilidades administrativas para trabalho interno compatível com o regime.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitou o plano da Marinha para o ex-comandante Garnier, condenado a 24 anos por crimes ligados à trama golpista, impedindo atividades técnicas ligadas às finalidades das Forças Armadas. A decisão foi proferida nesta sexta-feira, 23.

Moraes apontou que a participação do condenado em tarefas relacionadas às finalidades constitucionais das Forças Armadas é juridicamente impossível, desarrazoada e inadequada diante da gravidade dos crimes reconhecidos pelo STF. As condutas atribuídas seriam incompatíveis com o Estado de Direito.

O plano rejeitado incluía alta complexidade técnica, como análise de sistemas de apoio à decisão, avaliação operacional de meios navais e estudos de cenários geopolíticos. Autorizar esse tipo de atuação seria permitir o envolvimento direto no aperfeiçoamento das Forças Armadas, segundo o ministro.

Deslocamento para exames médicos

Apesar da negativa, Moraes destacou que o trabalho do preso é direito assegurado pela Lei de Execução Penal. Ele determinou que o Comando de Operações Navais apresente novas possibilidades administrativas para eventual trabalho interno, compatíveis com o regime fechado.

O ministro autorizou, ainda, o deslocamento de Garnier, sob escolta, ao Hospital Naval de Brasília para a realização de exames médicos. A ação foi considerada justificada pela falta de estrutura adequada na unidade prisional onde o condenado cumpre pena.

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