- A detenção de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, em um subúrbio de Minneapolis, ficou como ícone da linha dura de imigração da administração Trump.
- De janeiro a outubro de 2025, a ICE anotou cerca de 3.800 menores detidos em unidades de detenção familiar, incluindo crianças de um ou dois anos.
- Mais de 2.600 desses menores foram apreendidos por agentes da ICE dentro do país, não na fronteira.
- A política enfatiza a detenção de famílias inteiras, com centros como o de Dilley, no Texas, administrado pela CoreCivic, e, no passado, Karnes, também no Texas.
- Especialistas e defensores dizem que essa prática contraria o histórico da Flores Settlement (1997) e amplia detenções mesmo para pessoas com status de visto ou que já estavam no país, incluindo quem tem solicitações de asylum em andamento.
O caso do menino Liam Conejo Ramos, de cinco anos, detido pela agência de imigração dos EUA, ICE, em Columbia Heights, subúrbio de Minneapolis, marca a profissionalização de uma política de detenção de famílias encerrada há cinco anos. Liam voltava da escola quando foi levado sob custódia, com a mãe e o pai presentes na ocasião, segundo a versão oficial.
A detenção, que ganhou ampla atenção local e nacional, é apresentada pela administração como parte de uma ofensiva maior contra imigrantes, mas críticos veem na ação um endurecimento que atinge crianças e famílias que já vivem no país com status provisório. Oficiais afirmam que a operação ocorreu após uma tentativa de prender o pai, que resultou em uma fuga a pé.
A análise do Guardian com base em dados do Deportation Data Project mostra que, de janeiro a outubro de 2025, cerca de 3.800 menores foram detidos em unidades de família, incluindo crianças de um e dois anos. Mais de 2.600 dessas detenções ocorreram dentro do país, não na fronteira.
Essa tendência representa uma mudança significativa em relação a administrações anteriores, que costumavam prender famílias deslocadas pela fronteira. Crianças sob custódia de ICE têm proteção legal vinculada a acordo de 1997 conhecido como Flores, que exige avaliação para liberação caso não haja deportação rápida.
A agenda atual acelera a detenção de famílias em operações de grande visibilidade em cidades norte-americanas, conforme aponta a advogada Becky Wolozin, ligada ao National Center for Youth Law. Segundo ela, não se trata apenas de pessoas que chegam à fronteira, mas de familiares que já vivem no território e, em muitos casos, possuem status de refugiado ou autorização de trabalho.
Cenários e instituições
As crianças detidas junto aos pais costumam ser encaminhadas ao South Texas Family Residential Center, em Dilley, Texas, operado pela CoreCivic, empresa privada de custódia. Centros de detenção familiar foram criados para oferecer ambiente menos próximo de prisão, com educação e áreas de lazer, embora críticos sustentem que mantêm condições de confinamento.
Em 2024, a administração também manteve uma instalação em Karnes, Texas, para famílias, porém não está claro se continua operando nesse local. Autoridades de segurança interna não responderam sobre o número atual de centros de detenção de famílias em funcionamento.
O caso de Liam Ramos, que está sob custódia em Dilley junto com o pai, ilustra o perfil de muitos detidos: pessoas com pedidos de asilo pendentes, autorização de trabalho e histórico de cumprimento das leis imigratórias, mas que ainda assim são detidas ao serem localizadas por operações de fiscalização dentro do país.
A narrativa recente coincide com mudanças históricas na política de detenção familiar, iniciadas no governo de George W. Bush e reformuladas ao longo das últimas décadas. A gestão Trump ampliou a capacidade de detenção, após tentativas fracassadas de alterar o acordo Flores, e o Congresso retomou medidas de aperto orçamentário que ampliaram o financiamento para detenção de imigrantes.
As autoridades continuam defendendo que as ações são necessárias para cumprir leis de remoção, enquanto críticos afirmam que a estratégia penaliza crianças e famílias que cumprem requisitos legais ou aguardam decisões sobre pedidos de proteção.
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