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Privatização da água na Inglaterra não é o problema, diz autor da revisão

Autor do plano hídrico diz que privatização não é a raiz dos problemas; o sistema pode funcionar, mas exige mudanças profundas e fiscalização mais rígida

A South East Water customer arrives to collect bottled water in East Grinstead during an outage this month.
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  • O arquiteto do plano de água do governo, Sir Jon Cunliffe, afirmou que a privatização não é a causa dos problemas e que não existe solução única, como a nacionalização.
  • O relatório de Cunliffe avaliou sistemas ao redor do mundo e concluiu que a privatização pode funcionar, desde que haja reformas, supervisão técnica e regimes de recuperação para corrigir falhas rapidamente.
  • O governo publicou um white paper adotando várias de suas recomendações, incluindo modelo de supervisão, um novo superórgão regulador e mecanismos de mudança para acelerar melhorias, sem considerar a nacionalização.
  • Críticos afirmam que as mudanças não resolverão tudo sem enfrentar o modelo privado, defendendo maior responsabilidade pública das companhias de água.
  • O CEO da South East Water, David Hinton, enfrentou pressão para renunciar após interrupções no abastecimento; Cunliffe também sugeriu responsabilização de gestores seniores.

O governo britânico afirma que a privatização da água na Inglaterra não é, por si só, o motivo dos problemas do setor. O responsável pelo plano hidrológico do governo, Sir Jon Cunliffe, não acredita num caminho rápido para a solução única, como a nacionalização.

Cunliffe foi contratado pelo governo trabalhista para elaborar um relatório sobre a indústria de água, após desafios como contaminação de esgoto, cortes frequentes no abastecimento de água potável e preparação insuficiente para secas. O objetivo é apontar caminhos práticos para melhoria, sem abrir mão de reformas estruturais.

O ex-deputado do Banco da Inglaterra ressaltou que facilitar a saída de administradores de água com mau desempenho é uma medida viável. Em meio a críticas, o chefe da South East Water, David Hinton, enfrenta pressão para deixar o cargo após longos períodos sem água potável em partes de Kent e Sussex.

Na resposta governamental desta semana, um white paper adota várias sugestões de Cunliffe, incluindo um modelo de supervisão, a criação de um super-regulador com maior conhecimento técnico e regimes de recuperação para que empresas de água corrijam falhas com maior rapidez. O relatório, porém, não recomenda a nacionalização.

Mais de 90% do fornecimento de água Reino Unido pertence ao setor privado, com Inglaterra e Wales entre os poucos lugares do mundo a manter esse modelo. Críticos apontam que as empresas pagam dividendos elevados enquanto não investem o suficiente em tubulações e reservatórios.

Defensores da mudança dizem que o modelo privado não resolve tudo. Líderes de campanhas lembram que o lucro continua seja qual for o regime de propriedade, enquanto especialistas apontam necesidad de maior responsabilidade corporativa e investimentos de longo prazo.

Outros ativistas destacam propostas para que conselhos de empresas de água incluam representantes de consumidores e grupos anti-esgoto. Defendem também participação pública para tornar a gestão mais transparente e responsável.

Hinton tem sido alvo de pedidos de saída após ausências de aparições na mídia durante dois grandes apagões causados por falhas no tratamento de água. O salário-base dele é de 400 mil libras e houve bônus de 115 mil libras no último ano.

Cunliffe afirmou que o relatório sugere responsabilização individual de diretores seniores, com mecanismos que lembrem a responsabilidade no setor financeiro. O objetivo é evitar que sanções puramente financeiras impeçam investimentos necessários, ajudando a melhorar o serviço aos consumidores.

O cenário regional em Kent e Sussex foi considerado inaceitável, segundo Cunliffe. O white paper recebeu críticas por incluir medidas que poderiam flexibilizar multas a empresas. A ideia seria não desperdiçar recursos em sanções que prejudicam investimentos.

Segundo Cunliffe, punir sem exigir melhorias pode levar a perdas de companhias de água e a resultados piorados para os clientes. Ele defende que sanções devem existir, desde que acompanhadas de medidas que viabilizem investimentos em infraestrutura.

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