- Martin Rowson trabalha no papel, usando lápis, tinta e aquarela; o desenho leva cerca de seis horas e é produzido no mesmo dia em que é concebido, com tela 50% maior para permitir detalhes.
- O processo dele começa após ouvir os headlines das oito horas, em cerca de vinte minutos forma a imagem mentalmente e descreve aos editores; o resultado final é pintado em camadas de guache e aquarela.
- Ella Baron desenha digitalmente, com a tablette Wacom Cintiq; seus traços são mais precisos e ela mantém traços de outlines anteriores para dinamismo.
- Barras finas e linhas firmes contrapõem-se a traços mais simples e ousados, ajudando a expressar dinâmicas de poder e símbolos políticos; ela busca distilar a essência de uma cena de multidão sob prazos curtos.
- As duas cartunistas veem o trabalho como forma de questionar o poder, cada uma com estilo próprio; Rowson valoriza a tradição física, enquanto Baron enfatiza a precisão e a possibilidade de afinar detalhes.
Martin Rowson e Ella Baron participaram de um duelo artístico definido pelo tema Donald Trump, com cada cartoonista apresentando seu método de trabalho e visão sobre a sátira política. O objetivo foi explorar como a mesma pauta pode ganhar vida em estilos distintos, mesmo sob o prazo diário de publicação.
Rowson descreve um formato tradicional, quase artesanal, com papel, lápis, tinta e aquarela. Ele privilegia o toque físico do desenho, o toque de pinceladas e a prática de trabalhar com o papel como espaço de risco e improviso. O resultado é uma narrativa visual que busca capturar a essência caótica da notícia.
Baron, por sua vez, utiliza uma mesa digital com a Wacom Cintiq, ressaltando a sensibilidade do traço digital e a possibilidade de ajustes finos. Ela destaca a importância de detalhes, como expressões faciais e gestos, que ajudam a comunicar a dinâmica de poder presente nas caricaturas políticas.
Em termos de prazos, Rowson afirma que o processo completo, do blank page à versão final, leva aproximadamente seis horas por desenho. O método envolve esboço, traço definitivo, aplicação de planos de cor com gouache e aquarela, em camadas que imprimem textura e profundidade.
Baron explica que seu fluxo começa com a coleta de ideias pela manhã, a partir de referências visuais e símbolos. Ela destaca a vantagem de poder ampliar ou ajustar pontos específicos da imagem com maior precisão, mantendo a ideia central de distorcer a realidade para revelar uma perspectiva crítica.
Ambos colocam a tradição no centro de seu trabalho. Enquanto Rowson valoriza a herança de artistas como Gillray e Hogarth e a espontaneidade do processo, Baron enfatiza a evolução da sátira por meio de recursos digitais que permitem refinamento detalhado sem perder a força narrativa.
O tema Trump permanece em foco. Rowson descreve a versão mais recente do personagem como uma continuação de uma série que já existe há anos, mantendo tons marcantes de laranja. Baron reforça a busca por equilíbrio entre linhas frágeis e traços bold, que ajudam a evidenciar o poder e a vulnerabilidade do tema.
Os dois cartunistas destacam ainda o papel da sátira como instrumento de observação crítica da política. Para Baron, a combinação de linhas finas com áreas de sombra forte facilita a expressão de dinâmicas de poder, enquanto Rowson aponta a importância de manter o espírito de improviso dentro de uma tradição formal.
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