- Tim Davie afirma que o BBC está em xeque profundo no futuro sem mudanças no financiamento, apoiando uma revisão do modelo de licença.
- Ele rejeita financiar o BBC apenas com publicidade ou assinaturas, dizendo que isso excluiria o serviço universal.
- O grupo avalia tornar a licença mais progressiva, com hipótese de cobrança via levy familiar pelo imposto de propriedade para reduzir visitas de fiscalização e atenuar encargos para os mais pobres.
- Davie defende maior independência do BBC e reforma na governança, buscando mais margem de manobra regulatória junto ao governo e à Ofcom, com o charte atual exposto ao fim de 2027.
- Os comentários ocorrem em meio à redução do valor real da licença desde 2010 e ao aumento da inadimplência, com a BBC buscando sucessor para Davie.
Tim Davie, então diretor-geral da BBC, disse ao Guardian que a emissora corre um “perigo profundo” no seu futuro caso não haja mudanças significativas no financiamento, incluindo uma revisão do modelo da taxa de licença. A entrevista evidencia o apoio a reformas amplas que possam ampliar a flexibilidade dos serviços.
Segundo Davie, não basta apenas aumentar o valor pago pela licença. Ele afirmou que é preciso reformar a taxa e obter regulação mais flexível para a BBC manter relevância e alcance. Sem isso, ele acredita que a instituição enfrentará dificuldades.
Ele rejeitou abertamente a ideia de financiar a BBC com publicidade ou assinaturas, afirmando que esse caminho quebraria o caráter universal do serviço público. A posição é de que a BBC deve permanecer universal.
Propostas de financiamento
A ideia é tornar o financiamento mais progressivo para alguns grupos. O presidente da BBC, Samir Shah, já sugeriu um financiamento via taxa familiar coletada pela prefeitura. A proposta reduziria visitas domiciliares para cobrar a taxa e permitiria ajustar pagamentos conforme a renda.
A mudança elevada poderia eliminar a cobrança direta da licença para quem não paga, o que geraria controvérsia. Davie disse não apoiar um sistema híbrido em que algumas funções custem por meio de taxas adicionais, o que fragmentaria o serviço público de imprensa.
Davie, que deixou o cargo em novembro após a controvérsia envolvendo a edição de um discurso de Donald Trump, defendeu maior independência da BBC e governança reformada. Ele citou uma pesquisa com 40 milhões de pessoas destacando a demanda por independência.
Além disso, mencionou que ataques ao serviço por erros são “weaponizados” por opositores e que a proporcionalidade nesses casos é essencial. A discussão sobre o novo charter real e o financiamento da BBC deve avançar até o final de 2027.
Contexto e próximos passos
A BBC enfrenta pressão financeira enquanto a taxa atual perdeu valor real desde 2010 e a inadimplência cresce lentamente. Davie sugeriu maior autonomia regulatória e maior espaço para inovação, diante da migração para plataformas digitais.
A instituição busca o próximo líder que conduza as negociações sobre o novo charter. Entre os nomes cotados para sucedê-lo estão executivos e ex-dirigentes da BBC e de outros grupos de mídia, com foco em manter a independência e o serviço público.
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