- A ala empresarial da CDU propõe eliminar o direito legal de trabalhar em meio período, afirmando que quem pode trabalhar mais deve fazê-lo e que é preciso permissão especial para morar com menos horas.
- Atualmente, na Alemanha, todos os trabalhadores têm direito a meio período; a proposta cria exceções apenas para quem cuida de filhos ou familiares, ou busca desenvolvimento profissional.
- A medida deve ser votada no congresso geral da CDU em Stuttgart no próximo mês, tornando-se política oficial do partido.
- A iniciativa acompanha comentários do chanceler Friedrich Merz sobre motivação dos alemães e críticas de membros da CDU, que argumentam que a proposta pode atrapalhar a entrada de pessoas em tempo integral.
- Dados do Instituto de Pesquisa do Emprego (IAB) mostram que a taxa de trabalho em meio período ficou acima de quarenta por cento no terceiro trimestre de 2025, com variações entre setores; comparação internacional aponta cerca de 24% no Reino Unido e pouco menos de 18% na França.
A ala empresarial da CDU, principal partido conservador da Alemanha, apresentou uma proposta para eliminar o direito legal de trabalhadores a reduzir a jornada. A ideia prevê exigir permissão especial para quem desejar trabalhar em tempo parcial, citando a carência de mão de obra qualificada no país.
Atualmente, na Alemanha, todo empregado tem direito básico a atuar em regime de meio período. Mulheres costumam aceder a esse tipo de arranjo por questões de cuidado de filhos ou de familiares idosos. A proposta classifica esse direito como “trabalho de estilo de vida” e defende que quem pode trabalhar mais deve fazê-lo.
O texto, elaborado pela linha de negócios da CDU, foi divulgado por meio de uma entrevista com a presidente da bancada empresarial, Gitta Connemann, ao Stern, que teve acesso a uma cópia vazada do documento. O consenso interno é de que a medida pode virar política oficial na conferência geral em Stuttgart no mês que vem.
Proposta e reação
Connemann afirma que a economia sofre com a falta de trabalhadores qualificados e que o status de meio período não deveria ser assegurado por lei. A medida prevê exceções para quem cuida de crianças, de familiares ou busca qualificação profissional.
Dentro da própria CDU, contudo, tem havido resistência. Dennis Radtke, líder da ala social, critica a proposta e diz que a prioridade deveria ser ampliar jornadas completas. Ele alerta que restrições ao meio período podem desincentivar a participação de quem já trabalha.
IG Metall, o poderoso sindicato metalúrgico, cobra melhorias nas condições para quem não pode trabalhar em tempo integral. A entidade afirma que o problema não é a vontade de trabalhar, mas as condições de trabalho, salários e oportunidades de carreira.
Dados oficiais apontam o aumento do meio período na Alemanha. Segundo o IAB, a taxa de emprego em meio período ficou superior a 40% no terceiro trimestre de 2025, refletindo crescimento em setores como saúde e educação, e queda na indústria manufatureira.
Em comparação internacional, o Reino Unido fechou 2025 com aproximadamente 24% de trabalhadores em meio período, enquanto a França ficou abaixo de 18% em 2024. Observa-se ainda que 76% dos trabalhadores em meio período na Alemanha são mulheres, indicador semelhante ao observado na França e no Reino Unido.
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