- Ministros britânicos aceitaram 1 milhão de dólares da Meta para desenvolver soluções de IA voltadas à defesa, segurança nacional e transportes, coordenadas pelo Alan Turing Institute.
- O dinheiro financia quatro especialistas em IA no Reino Unido, para modernizar sistemas públicos, como saúde, polícia e transportes.
- Meta reforçou que a parceria acelera a transformação dos serviços públicos, enquanto críticos questionam a relação entre o governo e gigantes de tecnologia.
- Grupos de defesa afirmam que o acordo traz riscos de influência de empresas de tecnologia no policymaking, especialmente com foco em terceiros.
- O governo também anunciou parceria com a Anthropic para criar uma ferramenta de assistência pública no gov.uk, com trabalho inicial voltado a orientar busca de emprego.
Ministros britânicos aceitaram 1 milhão de dólares da Meta para financiar o desenvolvimento de sistemas de IA voltados à defesa, segurança nacional e transporte. O anúncio foi feito pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT) nesta terça-feira.
O dinheiro será usado para financiar quatro especialistas em IA no Reino Unido, coordenados pelo Alan Turing Institute, com o objetivo de contribuir para melhorias em áreas como saúde, polícia e mobilidade. O Ministério destacou o papel central dessa equipe no redesenho de serviços públicos.
Segundo o DSIT, os especialistas atuarão no desenvolvimento de soluções de IA que operem com segurança, inclusive offline ou em redes protegidas, para apoiar equipes de segurança e defesa sem expor dados sensíveis. O investimento representa apoio direto ao governo em projetos estratégicos.
A decisão coincide com um histórico de acesso de Meta aos formuladores de políticas britânicos, após 50 reuniões entre executivos da empresa e ministros nos últimos dois anos, conforme apuração do Guardian. O número é um entre os mais altos de acesso a qualquer gigante de tecnologia.
Paralelamente, o governo informa sobre uma consulta pública para proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, o que pode impactar a plataforma Instagram da Meta. A decisão desperta críticas entre defensores de transparência e proteção de dados.
Parcerias e impactos
A Meta comentou que a iniciativa visa acelerar a formação de talentos britânicos em IA e transformar serviços públicos. O DSIT afirmou que a colaboração pode beneficiar a população com serviços mais rápidos e confiáveis, incluindo segurança pública e manutenção de transportes.
O grupo Foxglove, que atua em justiça tecnológica, questionou o benefício direto do acordo, sugerindo que a cooperação com grandes empresas de tecnologia não é gratuita. Líderes do movimento destacaram preocupações sobre influência de grandes plataformas na formulação de políticas.
Daisy Greenwell, cofundadora de campanha sobre uso seguro de tecnologia por crianças, ressaltou a importância de decisões baseadas em evidência independente. Ela afirmou que o tema de segurança infantil deve considerar interesse público acima de ganhos de empresas.
Novas iniciativas em IA governamental
O DSIT anunciou ainda uma parceria com a Anthropic, empresa de IA com origem em San Francisco, para desenvolver e testar uma ferramenta de assistente para serviços públicos no gov.uk. O projeto começará com um modelo que oferecerá orientação de carreira a desempregados, com implementação inicial prevista ainda neste ano.
A Anthropic descreveu o trabalho de implementação como pro bono. Segundo o Ministério, a tecnologia visa facilitar serviços governamentais com uso de agentes de IA em projetos públicos, mantendo salvaguardas para dados sensíveis. O acordo ocorre no contexto de reformas de uso de IA e de decisões sobre propriedade intelectual de criadores cujos trabalhos podem ser usados para treinar modelos.
O governo também analisa mudanças na proteção de obras criativas usadas para treinar IA, incluindo conteúdos de criadores independentes. A Meta e a Anthropic estão no centro dessas discussões, que envolvem políticas de evidência e interesse público.
Beeban Kidron, autoridade em proteção de crianças e direitos autorais, afirmou preocupação com dependência de tecnologia do Vale do Silício. Ela apontou risco de transferência de dados valiosos para empresas estrangeiras, influenciando políticas nacionais.
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