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Brasil apresenta estratégia para a natureza

Brasil apresenta estratégia de biodiversidade 2025-2030, com meta de conservar 80% da Amazônia e eliminar desmatamento até 2030

Tapir in Brazil. Photo by Rhett Ayers Butler.
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  • Brasil apresentou o novo Plano Nacional de Biodiversidade e Ação para o período de 2025 a 2030, resultado de ampla consulta com cientistas, povos tradicionais e governo, alinhado ao Marco Global de Biodiversidade de Kunming–Montreal.
  • Uma das metas centrais é conservar oitenta por cento da Amazônia até 2030, incluindo áreas protegidas, territórios indígenas e terras gerenciadas.
  • O plano também estabelece a eliminação do desmatamento em todos os ecossistemas até 2030, com foco especial no desmatamento ilegal e em mecanismos de restauração.
  • A estratégia alinha biodiversidade e clima, tratando a proteção de ecossistemas como infraestrutura climática, com responsabilidades distribuídas por vinte ministérios e várias agências.
  • O financiamento é destacado como necessário, com propostas de créditos de biodiversidade, mercado de carbono regulado e Fundo Permanente para Florestas Tropicais; algumas ferramentas permanecem em estudo.

A Brazil apresentou pela primeira vez após o atraso a sua Estratégia Nacional de Biodiversidade e Plano de Ação (NBSAP) para o período de 2025 a 2030. O documento, alinhado ao Kunming–Montreal Global Biodiversity Framework, foi divulgado em 29 de dezembro de 2025. O objetivo é orientar políticas públicas e ações de conservação com foco na proteção de ecossistemas e no equilíbrio com o desenvolvimento.

O governo ressalta que o Brasil é o país com maior diversidade biológica mundial e abriga parte relevante da Amazônia. A estratégia busca ampliar a proteção de áreas, territórios indígenas e outras formas de manejo do território, reduzindo a pressão sobre a natureza. A iniciativa envolveu cientistas, povos tradicionais e agentes públicos.

A proposta reconhece que o tema exige financiamento adequado e aponta mecanismos como créditos de biodiversidade, mercado de carbono regulado e criação de uma Tropical Forest Forever Facility. O plano também prioriza a identificação e a redução de subsídios prejudiciais à biodiversidade até 2030.

Conservação da Amazônia e metas por bioma

Entre as metas, está a conservação de 80% da Amazônia brasileira até 2030. A definição inclui áreas protegidas, territórios indígenas e outras formas de manejo onde não há desmatamento autorizado. Dados indicam queda de desmatamento anual na Amazônia nos últimos cinco anos, com o registro mais baixo em 2025.

Apesar da queda, a floresta segue sob pressão de altas temperaturas, secas e risco de incêndios. A preservação depende de manter ciclos de chuva, conectividade entre áreas e resiliência do ecossistema, não apenas de fiscalização contra o corte raso.

Desafios de implementação e política de uso da terra

Além da Amazônia, o plano visa eliminar o desmatamento em todos os biomas até 2030, com foco na ilegalidade. A iniciativa relaciona controle do desmatamento a prevenção de incêndios, neutralidade de degradação e restauração.

A governança envolve 20 ministérios e várias agências, buscando melhorar coordenação institucional. No entanto, a viabilidade dependerá de continuidade política, financiamento e incentivos alinhados à conservação.

Biodiversidade, clima e economia

A NBSAP vincula proteção da biodiversidade às metas climáticas, tratando ecossistemas intactos como infraestrutura que regula chuva, protege costas e estoca carbono. A integração entre biodiversidade e clima é apresentada como essencial para o alcance de metas de redução de emissões.

No âmbito financeiro, o plano aposta no aumento de recursos de fontes domésticas e internacionais. Entre os instrumentos estão créditos de biodiversidade, crédito de carbono e fundos especializados, ainda com dúvidas sobre implementação prática e salvaguardas sociais.

Agricultura e uso da terra

A estratégia prioriza a chamada “intensificação sustentável” na agricultura, visando produzir mais em áreas já cultivadas para reduzir pressão sobre vegetação nativa. O texto reconhece riscos: se não houver controle de uso da terra, pode haver expansão para novas áreas.

A coordenação entre crédito agrícola, infraestrutura e fiscalização será decisiva para que a intensificação não aumente a pressão sobre biomas sensíveis. O equilíbrio entre produção e conservação permanece como ponto central.

Participação e mudanças institucionais

O processo de elaboração foi descrito como o maior consulta pública sobre biodiversidade já realizada no país. Povos indígenas e comunidades tradicionais aparecem como atores centrais na implementação, com ênfase em participação e acesso à informação.

A dependência de continuidade política é destacada como o principal condicionante. Se houver manutenção da atual linha de governo, a implementação tende a seguir adiante; caso haja mudança, pode ser revista ou reorientada.

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