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Brasil resgata 2.700 pessoas da escravidão em 2025, ano de intervenção

Brasil resgata 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2025, ano de intervenção ministerial e paralisação parcial de auditores

Alojamentos queimados por trabalhadores que se revoltaram com condições degradantes -- operação resgatou 563 trabalhadores no canteiro de obras de uma usina de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT)
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  • Brasil resgatou 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2025, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado em 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
  • Ao longo do ano foram realizadas 1.594 fiscalizações com apoio de órgãos como Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal; os estados com mais operações foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás.
  • Os resgatados receberam mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias; outras 48 mil pessoas foram alcançadas pelas ações fiscais, com direitos trabalhistas assegurados.
  • Em 2025, 68% dos trabalhadores resgatados atuavam em áreas urbanas; os setores com mais ocorrências foram obras de alvenaria e administração pública, entre outros.
  • Houve intervenção direta do ministro do Trabalho, com avocação de decisões administrativas, gerando renúncia de auditores fiscais e paralisação parcial das atividades da fiscalização.

O Brasil resgatou 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2025, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados em 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Os resgates ocorreram ao longo de 1.594 fiscalizações realizadas com apoio de órgãos como Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

O levantamento aponta São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás como os estados com maior número de operações. Ao todo, os trabalhadores resgatados receberam mais de 9 milhões de reais em verbas rescisórias, e outras 48 mil pessoas foram alcançadas pelas ações fiscais, com asseguramento de direitos trabalhistas.

Os dados indicam que 68% dos resgatados em 2025 atuavam em ambiente urbano. Entre os setores com mais ocorrências estão obras de alvenaria, administração pública, construção de edifícios, cultivo de café e mineração de pedras.

Interferência administrativa

No ano, a cúpula do MTE utilizou a chamada avocação em três ocasiões, levando a decisões finais sobre atos administrativos para a própria pasta. Ações favoreceram empresas como JBS Aves, Santa Colomba Agropecuária e Apaeb.

A medida resultou na renúncia coletiva de auditores fiscais de cargos de coordenação, gerando uma paralisação parcial das atividades por reivindicação de maior independência técnica no combate ao trabalho escravo.

Sobre a lista suja

A chamada lista suja funciona como cadastro público de empregadores condenados ou responsabilizados por trabalho análogo à escravidão. Ela serve para uso por empresas privadas e públicas em gestão de risco, sem que haja divulgação de contatos ou links.

A entrada no cadastro depende de duas instâncias administrativas e contraditório, assegurando defesa ao empregador. A avocação ministerial, porém, suspendeu temporariamente o envio de alguns nomes para a lista, prática inédita desde a criação do cadastro, em 2003.

Panorama histórico e institucional

Desde 1995, quando começaram as fiscalizações, o Estado brasileiro retirou mais de 68 mil pessoas dessa condição. Em 2025, a maior parte dos resgatados foi registrada como trabalhadores urbanos, sinalizando mudança de perfil comparado a anos anteriores.

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