- A reorganização de depoimentos do caso Master amplia o tempo da PF para analisar evidências em celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, antes de interrogatórios programados.
- Toffoli determinou que os interrogatórios ocorram na sede do Supremo Tribunal Federal, sob fiscalização de juiz auxiliar, o que tem causado atritos entre a PF e o judiciary.
- Apenas três executivos foram ouvidos até agora; três depoimentos foram remarcados e outros, incluindo Vorcaro, não compareceram por pedidos de defesa ou decisão da PF.
- Peritos da PF passaram a ter acesso a dados de aparelhos apreendidos na segunda fase da operação Compliance Zero, o que pode embasar futuras oitivas, embora haja dúvidas sobre o timing.
- Reações no Congresso questionam a influência do STF na investigação, com pedidos de impeachment de Dias Toffoli e defesa de uma CPI para o caso, citando suposta interferência na coleta de provas.
O que aconteceu: a PF ganhou fôlego para analisar evidências em celulares apreendidos no caso Master, com a reorganização de depoimentos e adiamentos promovidos pelo relator, ministro Dias Toffoli. A mudança permite tempo extra para examinar dados antes dos interrogatórios de Vorcaro e de outros executivos.
Quem está envolvido e quando: o inquérito envolve Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e executivos ligados ao banco e ao BRB. Inicialmente, a PF marcava entrevistas para segunda e terça, entre 26 e 27 de janeiro, porém houve remarcações por pedidos das defesas e decisões da PF. Parte dos depoimentos foi concluída, com apenas três executivos ouvindo perguntas.
Onde e por quê: as oitivas ocorrem nas dependências do Supremo, sob supervisão de um juiz auxiliar indicado por Toffoli, gerando tensões com a PF. A medida busca acomodar a análise de provas apreendidas em aparelhos de Vorcaro, captadas na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14.
O que mudou na prática: Toffoli autorizou que peritos da PF acessem dados de aparelhos apreendidos, após a intervenção do STF. Mesmo com a apreensão ter ocorrido pela PF, a extração estava sob fiscalização da Procuradoria-Geral da República, com peritos indicados por Toffoli. A PF afirma que o avanço não prejudicou a investigação, mas a demora dificultou cronogramas de depoimento.
Quem faltou e quem foi ouvido: entre os que deveriam depor estiveram Vorcaro, Augusto Lima, Angelo Ribeiro da Silva e Robério Mangueira, além de André Maia e Henrique Peretto, que não compareceram na segunda-feira. Novas datas não foram divulgadas. Dados adicionais podem orientar perguntas já formuladas.
Contexto institucional: a condução do inquérito pelo STF provocou reação no Congresso, com parlamentares da oposição defendendo respostas institucionais. O debate envolve o papel do Judiciário na coleta de provas e a imparcialidade do processo, com críticas à presença de um juiz instrutor substituto nas oitivas.
Indicação de juiz e debate jurídico: o desembargador Carlos Vieira Von Adamek, do TJ-SP, atua como juiz instrutor substituto no STF durante as oitivas. Juristas e integrantes da PF questionam a atuação, argumentando que não é usual o magistrado orientar perguntas ou atuar ativamente na coleta de provas, sob o modelo acusatório.
Pontos de tensão e impactos: especialistas alertam para o risco de contaminação da prova e de nulidades processuais se houver direcionamento ou interferência no conteúdo dos depoimentos. A depender da percepção de parcialidade, podem surgir questionamentos futuros sobre a validade das informações obtidas.
Reação pública e interna: além das críticas à prática, há sinalização de descontentamento com a concentração de investigações no STF. Parlamentares defendem medidas adicionais, como CPI ou impeachment, para apurar as condutas envolvidas e assegurar o equilíbrio entre os Poderes.
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