- Lula, presidente, defendeu no Panamá uma integração mais autônoma da América Latina e do Caribe.
- Criticou o unilateralismo, o protecionismo e as “tentações hegemônicas” sem citar os Estados Unidos diretamente.
- Afirmou que a região vive um dos maiores retrocessos na integração e que soluções externas não são suficientes.
- Disse que a União Europeia pode servir de referência, mas diferenças históricas e culturais tornam inviável, no curto prazo, um projeto de integração com a mesma profundidade.
- Destacou a neutralidade e a eficiência do Canal do Panamá e lembrou que a integração em infraestrutura não tem ideologia; o fórum segue até quinta-feira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na manhã desta quarta-feira, 28, da abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, em Cidade do Panamá. O objetivo foi defender uma integração regional mais autônoma e, de forma indireta, criticar modelos de influência externa. O evento é promovido pelo CAF e segue até quinta-feira, 29.
Lula afirmou que a região não pode resolver seus problemas olhando apenas para fora, dada a presença de potências globais e disputas por recursos estratégicos. O discurso enfatizou a necessidade de evitar a retomada de unilateralismo, protecionismo e tentações hegemônicas no cenário internacional. O tom foi de busca por coesão regional.
O presidente avaliou que a integração regional passa por mudanças profundas na política e na atuação dos líderes, citando problemas de intolerância política e fragmentação ideológica. Segundo ele, paradigmas históricos como pan-americanismo e bolivarianismo não atendem aos desafios atuais. A referência a trajetórias históricas apontou para uma relação mais prática com a integração.
Defesa de autonomia regional
Lula destacou que os países latino-americanos não devem depender de soluções externas para problemas estruturais. Afirmou que a falta de convicção sobre os benefícios de um projeto de inserção internacional mais autônomo enfraquece a região. O discurso indicou a prioridade de acordos que valorizem a soberania regional.
Numa parte apresentada de forma improvisada, o presidente pediu responsabilidade aos países da região e reforçou a necessidade de vontade coletiva para enfrentar os desafios. A ideia central foi a construção de um caminho próprio para o desenvolvimento regional.
Canal do Panamá
O chefe de Estado ressaltou que a integração em infraestrutura não tem viés ideológico e defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, alegando gestão eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas. O tema envolve também o debate sobre soberania e governança da região.
O Fórum segue com participação de autoridades, empresários e representantes de organismos internacionais da América Latina e do Caribe. Entre os participantes, estão líderes regionais e representantes de organizações internacionais.
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