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Morrison acusado de ataque à liberdade religiosa após discurso sobre Islã

Morrison propõe registro nacional e credenciamento de imams e maior controle de financiamento externo de instituições religiosas, alvo de críticas de grupos muçulmanos

Former prime minister Scott Morrison made the comments about Islam at an antisemitism conference in Jerusalem on Tuesday.
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  • O ex-primeiro ministro Scott Morrison pediu um registro nacional e credenciamento de imams, além de ampliar estruturas de interferência estrangeira para captar vínculos de religiões.
  • Morrison fez as propostas durante uma conferência em Jerusalém, após o tiroteio em Bondi que deixou 15 mortos, alegando necessidade de enfrentar o islamismo extremista.
  • A Australian Federation of Islamic Councils (AFIC) classificou as declarações como perigosas e atacou o credenciamento de pregadores muçulmanos como uma violação da liberdade religiosa.
  • O Conselho Nacional de Imams da Austrália (ANIC) disse que as críticas de Morrison mostram ignorância e ressaltou que já existem traduções disponíveis das ensinanças islâmicas; destacou que autoridades não responsabilizam comunidades religiosas pelos ataques.
  • O ministro da defesa, Pat Conroy, avaliou a ideia como problemática, reforçando o apoio à comunidade muçulmana australiana e sua liberdade de praticar a fé em paz.

O ex-primeiro ministro Scott Morrison pediu, durante uma conferência antissemita em Jerusalém, um registro nacional e credenciamento para imams, além de ampliar mecanismos de interferência estrangeira para mapear vínculos externos em instituições religiosas. A proposta surge após o ataque em Bondi, atribuído a extremistas inspirado pelo ISIS, que resultou em 15 mortes em uma festa de Hanucá.

Morrison afirmou que é preciso padrões nacionais consistentes, com credenciamento de imams, registro público de funções religiosas e requisitos de formação e conduta, além de maior capacidade disciplinar. Também pediu maior escrutínio sobre financiamento estrangeiro.

A AFIC, principal órgão muçulmano, classificou as declarações como perigosas e atacou a ideia de credenciar pregadores islâmicos, afirmando que isso representa uma violação à liberdade religiosa e à igualdade perante a lei. A entidade rejeita a regulação especial, vigilância ou supervisão estatal.

Pat Conroy, ministro da defesa, comentou que a proposta é problemática, elogiando a comunidade muçulmana pela contribuição à sociedade australiana. Ele lembrou que líderes muçulmanos condenaram os ataques de Bondi e reforçou o direito de praticar a fé em paz.

Morrison sustenta que países árabes já exercem controle sobre ensino religioso, licenciamento de imams e currículos. Alega que reformas facilitaram o alinhamento com leis australianas, comparando o modelo a ministérios religiosos em contextos ocidentais.

A ANIC (Conselho Nacional de Imams da Austrália) criticou as afirmações, dizendo que já existem traduções do Islã em inglês e que não houve responsabilidade de orientar a comunidade como um todo. A ANIC também ressaltou o incidente de Christchurch em 2019 sem atribuir culpa coletiva.

Críticos destacaram a falta de transparência e questionaram o objetivo de ampliar o controle estatal sobre religião. Líderes da comunidade religiosa afirmam que políticas assim podem criar divisão entre muçulmanos considerados aceitáveis e inaceitáveis.

O ANIC ainda repudiou comentários de Andrew Bragg, senador e figura de oposição, que apoiou Morrison e sugeriu maior responsabilização dos muçulmanos em atos de terrorismo. A organização pediu liderança responsável e pacífica.

Morrison afirmou que não defende que o governo administre a religião, mas que a ideia busca responsabilidade e conformidade com as leis australianas. O tema gerou forte repercussão entre políticos e entidades muçulmanas.

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