- Um estudo alerta que o Labour pode sofrer derrota eleitoral se não enfrentar o declínio das high streets britânicas, que se tornaram símbolo de prosperidade local.
- Entre 2019 e 2025 houve pelo menos 8 mil estabelecimentos a menos, com lojas tradicionais encolhendo e novos tipos de negócios ocupando os espaços vagos.
- Votos apontam as melhorias nas áreas de comércio como a terceira maior questão local, atrás de saúde e redução da criminalidade; reformas de impostos sobre o comércio foram anunciadas para acalmar empresários.
- O crescimento de restaurantes, lojas de artigos de vape e redes de desconto, além de aumento de lavanderias, salões de beleza e bares de apostas, mostram a mudança no perfil das ruas de cidade.
- O governo lançou um programa de regeneração de 5 bilhões de libras em dez anos, com até 20 milhões de libras por local para revitalizar centros urbanos, enquanto especialistas destacam a necessidade de apoio prático a custos como impostos, mão de obra e energia.
O incumbente temor de um revés eleitoral maior para o Labour cresce caso o partido não trate do declínio das high streets britânicas. Estudo do University of Southampton, com apoio de análise do Guardian, aponta que a deterioração dos centros urbanos é a principal preocupação local para eleitores, especialmente entre apoiadores da Reform UK.
Segundo a pesquisa, as ruas comerciais melhoraram menos do que outras áreas nos últimos dez anos, conforme o fechamento de marcas tradicionais e aumento de furtos. A melhoria de áreas de comércio foi a terceira maior prioridade entre votantes, atrás de saúde e segurança pública.
A Pesquisa indica que apoiadores da Reform UK são os mais propensos a perceber declínio significativo na sua área, revelando um ressentimento baseado no local de residência em relação a Westminster. O Labour, por sua vez, vê o tema como chave para conquistar eleitores.
Dados e impactos recentes
O estudo usa dados de Ordnance Survey e Landmark Information para mostrar que 8.000 lojas a menos existiam em 2025 em comparação com 2019. Queda de varejo tradicional e entrada de novos tipos de negócio marcaram o período.
Restaurantes, lojas de vape e discount stores tiveram expansão, enquanto livrarias, grandes lojas de departamento e lojas de vestuário diminuíram. A migração para compras online, acelerada pela pandemia, é citada como motor dessa transformação.
Oito em cada dez varejistas online representam parcela crescente do comércio, com 28% das vendas de varejo ocorrendo online em outubro de 2025, ante 19% em igual mês de 2019. Os centros urbanos passaram a acolher serviços, como salões de beleza e tatuagem.
Mudanças no perfil dos bairros
Restaurantes cresceram de 17 mil para 25 mil desde 2019, refletindo retomada de hábitos de comer fora. Espécies de serviços ocupam espaços antes destinados a lojas físicas, como salões de beleza, estúdios de piercing e academias.
Em contrapartida, números de serviços tradicionais recuaram: óculos, jogos de apostas e lojas de roupas registraram quedas. Além disso, o número de lojas de livros subiu, apesar da força contínua do comércio eletrônico.
Infraestrutura e ambiente local
A presença de instalações públicas caiu, com menos de 5 mil banheiros públicos registrados, e o uso de dinheiro em espécie diminuiu com a ampliação de pagamentos com cartão. O número de caixas eletrônicos caiu drasticamente.
Parlamentares locais, como Leigh Ingham, associada ao Labour, destacam o declínio como sinal de problemas mais amplos, incluindo austeridade. Ela exerce defesa para permitir que governos locais ocupem imóveis vazios para projetos comunitários temporários.
Resposta governamental e perspectivas
O governo lançou um programa de regeneração de 5 bilhões de libras em 10 anos, visando revitalizar 250 locais na Inglaterra, Escócia e País de Gales. A iniciativa prevê apoio financeiro para transformar imóveis ociosos em usos comunitários.
A Secretária de Cultura, Lisa Nandy, anunciou a primeira cidade do país a receber o título de “cidade da cultura” para 2026. Medidas adicionais incluem ações para reduzir custos operacionais de negócios locais, como impostos e energia.
Desdobramentos e avaliações
Especialistas ressaltam que a regeneração precisa caminhar junto com suporte prático a varejistas e empreendimentos. A preocupação inclui manter uma mistura saudável de negócios para atrair fluxo de pessoas.
O estudo também aponta que menos de 2% das propriedades de varejo pertencem a varejistas; a maior parte pertence a holdings imobiliárias. Em várias áreas, a maioria dos títulos de propriedade é controlada por poucas entidades.
O tema permanece central para a dinâmica política britânica, com eleições próximas citadas como momento-chave para avaliar se o Labour conseguirá reverter o descontentamento local expresso nas high streets.
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