- A defesa de Daniel Vorcaro recusou-se a informar a senha do celular dele à Polícia Federal durante acareação no Supremo Tribunal Federal em dezembro.
- O conteúdo da oitiva, inicialmente sigiloso, tornou-se público nesta terça-feira, 29 de janeiro, pelo STF, com justificativa de preservar a privacidade pessoal.
- O advogado Roberto Podval alegou preocupação com vazamentos e afirmou que o sigilo do aparelho não poderia ser flexibilizado apenas para facilitar perguntas que teriam sido divulgadas pela imprensa.
- Durante a acareação com o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, Vorcaro e Costa apresentaram versões conflitantes sobre a origem das carteiras de crédito do Master adquiridas a partir de 2025.
- Investigações apontam para a criação de carteiras de crédito insubsistentes, que eram vendidas a outros bancos e substituídas por ativos sem avaliação adequada; o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro.
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recusou-se a informar a senha do celular do banqueiro à Polícia Federal durante acareação no STF em dezembro. A negativa foi apresentada pelo advogado Roberto Podval à delegada Janaína Palazzo, responsável pela investigação.
O conteúdo da oitiva, inicialmente sigiloso, tornou-se público nesta terça-feira pelo STF. O defensor citou o risco de vazamentos que pudessem violar a privacidade pessoal de Vorcaro e argumentou que o sigilo devia permanecer, mesmo após perguntas já divulgadas pelo jornal O Globo.
Palazzo sinalizou a possibilidade de levantar o sigilo telemático, mas Podval questionou se esse aval seria condição para relaxar medidas cautelares. O advogado afirmou que não houve troca de favores e mencionou que o tema envolve relações pessoais sem relação direta com o caso do Master.
Durante o depoimento, Podval repetiu preocupações com vazamentos que teriam influenciado o sigilo absoluto. Ele criticou a divulgação de perguntas antes do depoimento e citou a necessidade de proteção de terceiros não relacionados ao caso. A PF não confirmou se conseguiu descriptografar o celular do investigado.
Na acareação com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, Vorcaro e Costa apresentaram versões conflitantes sobre a origem das carteiras de crédito adquiridas pelo banco público a partir de 2025. Vorcaro afirmou ter ciência de negociações envolvendo papéis da Tirreno, empresa recém-criada, sem registros financeiros claros.
Costa sustentou que as carteiras teriam origem no Master e teriam sido vendidas ou negociadas a terceiros, com o Master atuando na compra e revenda para terceiros. A divergência ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre o suposto esquema de fraudes.
As investigações apontam para a fabricação de carteiras de crédito insubsistentes, substituídas por ativos sem avaliação técnica após passarem pelo BC. Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, encerrando a possibilidade de venda da instituição.
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