- A nota do gabinete de Dias Toffoli sobre o caso Master é descrita como fluida e constrangedora, por ser incompleta e não esclarecer pontos-chave.
- Não há menção, no documento, à venda de parte de um resort no Paraná por R$ 3 milhões pelos irmãos do ministro a Fábio Zettel, cunhado do proprietário do Master.
- Também não há explicação sobre a casa de hospedagem de Toffoli na área do resort ou sobre a viagem de jatinho com um empresário amigo para torcer pelo Palmeiras.
- O texto não explica por que Toffoli rompeu limites formais da magistratura, envolvendo a Polícia Federal e acelerando procedimentos da investigação.
- A nota confirma a possibilidade de devolver o inquérito à primeira instância, mas afirma que só fará a análise após as investigações, prorrogadas em sessenta dias.
A nota do gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF, sobre o caso Master veio a público com críticas de que o texto é, segundo especialistas, insuficiente e vago. O documento, com 524 palavras distribuídas em três páginas, não detalha pontos centrais do inquérito.
Os trechos mais contestados não estão nas declarações formais, mas nas informações que não aparecem: a venda de parte de um resort no Paraná por R$ 3 milhões a Fábio Zettel, cunhado do empresário ligado ao Master, e a hospedagem do ministro em uma casa ligada ao mesmo complexo. Não há menção a esses aspectos no texto.
Outro aspecto questionado é a menção a uma viagem de jatinho de um empresário amigo para acompanhar a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, com a presença de um advogado de executivos ligados ao Master. Não há explicações sobre os objetivos da viagem.
O documento não esclarece por que Toffoli teria ultrapassado limites institucionais, envolvendo-se com a atuação da Polícia Federal, segundo relatos de que acelerou procedimentos da investigação e gerou atritos com a corporação. A linguagem do texto não define com precisão esses acontecimentos.
Além disso, a nota não detalha ações como acareações antes de depoimentos, pedidos a uma delegada para conduzir perguntas a um investigado, tentativas de restringir o acesso a materiais de busca e apreensão e a seleção de peritos para a análise das provas, apontados como envios de cumprimento de orientações próprias.
Desde a subida do caso ao STF, a relatoria de Toffoli tem sido alvo de críticas internas no tribunal, no Ministério Público, na Polícia Federal e na imprensa. A última nota admite a possibilidade de devolver o inquérito à primeira instância apenas após o término das investigações, que foram prorrogadas por 60 dias.
Desdobramentos e posicionamentos
A defesa de Toffoli sustenta que o ministro está avaliando o que cabe manter no STF ou devolver a apuração, conforme o andamento das investigações. A imprensa destaca a tensão entre a atuação do magistrado e a autonomia da Polícia Federal. As partes envolvidas devem apresentar novas informações nos próximos dias.
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