- Observatório do Clima entregou ao governo federal recomendações para a proposta de transição energética, com prazo para entrega até fevereiro.
- Propostas incluem calendário para fim dos leilões de petróleo, atendimento à demanda interna com poços já existentes e redução da produção ao mínimo necessário.
- Exigem exclusão da exploração em áreas socioambientalmente sensíveis (como Margem Equatorial e Foz do Amazonas) e rejeição de novos investimentos públicos em tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
- Propõem otimizar a geração hidrelétrica existente, ampliar o uso de fontes renováveis e promover transportes com biometano, biodiesel, diesel verde, etanol, hidrogênio e eletrificação.
- Incluem criação de uma Autoridade de Implementação, plano nacional de desativação de infraestruturas fósseis com requalificação profissional, reformulação da Petrobras e foco em justiça social para a transição até 2045.
O Observatório do Clima entregou ao governo federal um conjunto de recomendações para a construção da proposta de transição energética. O envio ocorre no contexto de um plano solicitado pelo presidente Lula após a COP30, com prazo de entrega em fevereiro.
As organizações do Observatório são mais de 130 entidades que promovem descarbonização e sustentabilidade. O grupo criticou a falta de diálogo com a sociedade civil até o momento e pediu participação maior após a apresentação da proposta.
Segundo o Observatório, o conteúdo visa orientar ministérios na transição energética brasileira, buscando reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a participação de fontes renováveis. O processo está alinhado à Estratégia Brasil 2045.
Principais propostas do Observatório
- estabelecer um calendário para o fim dos leilões de petróleo, atendendo à demanda interna pelos poços existentes;
- reduzir a produção de petróleo ao mínimo necessário e impedir novas fronteiras exploratórias;
- proibir exploração de combustíveis fósseis em áreas sensíveis, como Margem Equatorial e Foz do Amazonas;
- evitar novos investimentos públicos em carbono, por serem caros e de baixa escala no curto prazo;
- otimizar a geração hidrelétrica existente, com foco em soluções como painéis solares em espelhos d’água;
- ampliar o uso de tecnologias alternativas no transporte, como biometano, biodiesel, etanol, hidrogênio e eletrificação;
- incentivar modais de baixo carbono e reduzir a dependência do transporte rodoviário;
- revisar e eliminar gradualmente subsídios aos combustíveis fósseis;
- criar uma Autoridade de Implementação para monitorar prazos e estabilidade institucional;
- instituir um plano nacional de desativação de infraestrutura fóssil, com requalificação profissional e empregos verdes;
- reformular a estratégia da Petrobras, aumentando investimentos em energia renovável e reduzindo ativos encalhados;
- incorporar justiça social, combate à pobreza energética e racismo ambiental na política.
O documento recomenda que a produção de petróleo deixe de seguir expansão máxima e passe a atender apenas o volume mínimo da demanda interna. Como alternativa, propõe otimizar a geração hidrelétrica e ampliar fontes renováveis, com planejamento para minimizar impactos regionais.
Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório, ressaltou que a transição envolve planejar impactos e gerar renda para quem perder com a redução de petróleo. A energia nuclear, segundo ela, é cara e não é prioridade na agenda.
Economicamente, o relatório defende a reformulação da Petrobras, com maior foco em renováveis. Estima-se que até 85% dos ativos da empresa possam se tornar obsoletos sob cenários de bajas emissões.
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