- IPPR recomenda etiquetas de “nutrição” para notícias geradas por IA e pagamento justo aos publishers pelo conteúdo utilizado.
- O thinktank defende um regime de licenciamento no Reino Unido para permitir que editores negociem com as empresas de tecnologia.
- A proposta inclui uso de licenças coletivas para abranger um conjunto amplo de veículos de imprensa, assegurando pluralidade.
- Em testes com quatro ferramentas de IA, o BBC foi pouco citado por algumas, enquanto o Guardian aparece com frequência em respostas de IA licenciadas.
- O relatório aponta riscos para a diversidade de fontes, destaca possível dependência de grandes plataformas e recomenda financiamento público para jornalismo investigativo e local e inovação com IA pela BBC.
AI gerada deve ter rótulos de “nutrição” e empresas de tecnologia precisam pagar aos editores pelo uso de conteúdo, defende um think tank de esquerda, em meio ao crescimento do uso da tecnologia como fonte de notícias.
O Institute for Public Policy Research (IPPR) sustenta que as big techs atuam cada vez mais como novas guardiãs da internet e defende intervenção para criar um ambiente de notícias em IA saudável. A organização propõe rótulos padronizados para notícias geradas por IA, indicando quais informações foram usadas.
Entre os itens, constariam estudos revisados por pares e artigos de veículos profissionais. O IPPR também recomenda um regime de licenciamento no Reino Unido para que editores negociem com tech companies o uso de seu conteúdo em notícias de IA.
Propostas de licenciamento e impacto no ecossistema
A instituição afirma que, se as empresas de IA lucram com jornalismo e moldam o que o público vê, precisam pagar de forma justa pelo conteúdo utilizado, operando com regras que protejam a pluralidade e a confiança na imprensa independente.
O IPPR sugere que o licenciamento seja testado pela autoridade antitruste do Reino Unido, com o uso dos poderes de fiscalização sobre o Google. A CMA propôs, nesta semana, permitir que editoras parem o scraping de conteúdo para resumos da gigante.
O relatório aponta que acordos coletivos de licenciamento ajudariam a incluir um leque maior de editores. O Google afirma que seus resumos de IA alcançam cerca de 2 bilhões de usuários mensais, e que, no geral, um quarto da população usa IA para buscar informações.
Avaliação de ferramentas de IA e implicações
O IPPR analisou quatro ferramentas de IA — ChatGPT, resumos de IA do Google, Google Gemini e Perplexity — usando 100 consultas jornalísticas e mais de 2.500 links citados pelas respostas.
ChatGPT e Gemini não citaram jornalismo da BBC, que bloqueia o uso de seus bots. Já os resumos do Google e o Perplexity usaram conteúdo da BBC, apesar de objeções do serviço público. A Guardian teve uso frequente em respostas de IA geradas.
A pesquisa aponta que os resumos no topo das buscas do Google impactam o tráfego de publishers, reduzindo cliques para as matérias originais. O IPPR levanta a hipótese de que relações financeiras entre IA e imprensa influenciariam as respostas.
Perspectivas sobre modelo de negócios e financiamento público
O IPPR diz que perguntas devem ser feitas sobre como contratos entre IA e veículos moldam as respostas. Quando conteúdos licenciados aparecem com mais frequência, corre o risco de excluir provedores menores e locais.
Além de licenciamento, o relatório aponta que a publicidade não substitui completamente a necessidade de novos modelos de negócio. A instituição recomenda financiamento público para jornalismo investigativo e local, além de incentivar a BBC a inovar com IA.
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