- A Polícia Federal deflagrou a operação Mederi, em Mossoró (RN), para apurar suposta propina em fornecimento de medicamentos à prefeitura.
- Uma escuta ambiental na Dismed registra a chamada “matemática da propina”, mostrando divisão de um contrato de R$ 400 mil com repasses envolvendo o prefeito Allyson Bezerra.
- A PF afirma que, entre 2021 e 2025, a Dismed recebeu cerca de R$ 13,5 milhões da prefeitura de Mossoró.
- As gravações indicam proximidade entre o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa e Bezerra, citando o prefeito nas tratativas de pagamentos de propina.
- Bezerra gravou vídeo afirmando inocência, dizendo que a investigação envolve fatos de 2023; a defesa da Dismed sustenta que não houve conduta criminosa e que há acesso aos autos para análise.
Uma escuta da Polícia Federal aponta empresários ligados à Dismed detalhando a chamada “matemática da propina” em Mossoró, cidade do Rio Grande do Norte. A apuração ocorreu durante a operação Mederi, deflagrada na terça-feira, em Mossoró.
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), foi um dos alvos. Bezerra já é pré-candidato ao governo do RN e recebeu atenção de opositores após as denúncias. A PF utilizou uma escuta ambiental no escritório da Dismed para avançar na investigação e realizar buscas.
Na gravação, o sócio da Dismed, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, fala sobre a divisão de valores de uma compra de medicamento prevista em 400 mil reais. Segundo o relato, parte seria repassada a diferentes atores públicos da cidade.
A PF descreve a divisão de valores como 200 mil para início, com porcentagens sobre esse montante que gerariam vantagens para agentes públicos. O conteúdo sugere que o prefeito Bezerra estaria envolvido na leitura dos pagamentos.
Em um trecho da conversa, o empresário cita explicitamente Bezerra, mencionando benefícios que chegariam ao chefe do Executivo. A polícia aponta proximidade política entre o empresário e o prefeito como elemento relevante para a suspeita.
Entre 2021 e 2025, a Dismed teria recebido cerca de 13,5 milhões de reais da prefeitura de Mossoró, relacionados à venda de medicamentos. A PF sustenta que o volume de recursos e o dinheiro sacado reforçam a suspeita de irregularidades.
A autoridade policial aponta que o nome do prefeito apareceu repetidamente nas escutas, ainda durante a captação ambiental. A PF afirma que a menção ocorre em várias oportunidades ligadas a contratos com a gestão municipal.
Bezerra gravou um vídeo alegando inocência, dizendo que a apuração se refere a fatos de 2023 e reforçando a necessidade de rigidez no cumprimento da lei. O prefeito afirmou que cooperaria com a Justiça e agradeceu o trabalho policial.
A defesa da Dismed e de Oseas declarou estar confiante de que a análise técnica demonstrará a inexistência de conduta criminosa. Os advogados ressaltaram que aguardam acesso integral aos autos para avaliação cuidadosa.
Sobre o dinheiro apreendido na sede da Dismed, a defesa afirmou que os 52 mil reais são provenientes de atividade comercial lícita e compatíveis com o ramo farmacêutico. A manutenção de numerário, segundo a defesa, não é prova de crime.
Contexto e desdobramentos
Bezerra é conhecido por frequentar o debate político do RN, mantendo críticas ao governo petista estadual, sem confrontar publicamente o presidente Lula. Após a operação, aliados do PT e da administração municipal passaram a discutir propostas de impeachment.
A principal apoiadora de Bezerra na corrida ao governo é a senadora Zenaide Maia (PSD). A chapa tem atraído apoio de nomes próximos à governadora, o que complica a formação de alianças com o PT, conforme o quadro político local.
A mulher do prefeito, Cinthia Pinheiro (União), anunciou que também disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa, ampliando o protagonismo da família na cena política do estado.
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