- O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-prefeito de Cubatão, Ademário Silva Oliveira, por estupro contra uma ex-servidora da prefeitura; a defesa nega as acusações.
- O crime seria ocorrido em outubro de 2020, em um bar durante a comemoração de aniversário da vítima; segundo a denúncia, ele empurrou a servidora de volta ao banheiro e a tocou com força física.
- A vítima afirma que Ademário levantou o vestido e tocou em seios, pernas e nádegas, compulsando-a a deixar o local; o caso tramita em segredo de justiça e a servidora pediu exoneração em junho de 2024.
- A denúncia baseia-se em uma conversa gravada entre eles, de junho de 2021, na qual ele ofereceu um cargo comissionado e classificou o ocorrido como “imprudência”.
- Em outra ligação gravada, de agosto de 2022, Ademário questiona boato sobre vídeo íntimo; a vítima nega ter espalhado qualquer mensagem e afirma que o episódio de outubro de 2020 é o que importa; a perícia apontou que ele apagou aplicativos de mensagens antes de entregar o celular.
O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-prefeito de Cubatão, Ademário Silva Oliveira, por estupro contra uma servidora da prefeitura durante uma festa de aniversário ocorrida em outubro de 2020. A denúncia aponta que, na festa realizada em um bar, Ademário teria forçado contato não consentido com a vítima após ela sair do banheiro, momento em que houve jogada de força para dentro do recinto. A promotoria sustenta que houve constrangimento e toque em áreas sensíveis, sempre sem o consentimento da vítima. O caso tramita com segredo de Justiça e a vítima deixou o cargo em junho de 2024.
Segundo a denúncia, a violência ocorreu quando a mulher foi surpreendida pelo então chefe do Executivo ao sair do banheiro, após ter entrado no bar para a celebração. O MP descreve que, com força física, Ademário teria erguido o vestido da vítima e realizado toques inadequados, incluindo áreas íntimas, enquanto a vítima tentava se desvencilhar e deixar o local. A acusação também afirma que o ex-prefeito empurrou a funcionária para cima do vaso sanitário, reforçando o deslocamento forçado durante o episódio. Ademário governou Cubatão por dois mandatos, entre 2017 e 2024.
Denúncia e documentos
A peça acusatória é baseada em uma conversa gravada entre a vítima e Ademário, na qual ele oferece um cargo comissionado e menciona o episódio de outubro de 2020 como uma “imprudência”. Os áudios, aos quais o UOL teve acesso, foram registrados em junho de 2021 durante uma reunião no gabinete do então prefeito. A vítima aponta que, na ocasião, questionou o que houve naquele dia, ao que o ex-prefeito respondeu de forma ambígua, atribuindo circunstâncias ao consumo de bebida.
Defesa e andamento do caso
A defesa afirmou que discutirá no processo a confiabilidade dos áudios e a veracidade das provas, alegando que o aparelho utilizado para gravar não foi entregue para perícia. Os advogados também destacaram que não houve indictação policial inicial e afirmaram a inocência de Ademário. Além disso, a perícia indicou que o celular usado pelo ex-prefeito tinha aplicativos apagados antes da entrega à polícia, o que, segundo a defesa, pode impactar a avaliação das mensagens.
Outra gravação e desdobramentos
Em outra gravação, datada de agosto de 2022, Ademário questiona a vítima sobre boatos envolvendo supostas relações com servidoras, na esteira de rumores que teriam surgido após o episódio de 2020. A vítima negou ter espalhado tais informações e afirmou que não houve caminho para tal discussão. Na conversa, o ex-prefeito reiterou a necessidade de manter o foco no caso inicial e minimizou o teor de outras alegações, enfatizando que não está preocupado com esse tema.
Entre na conversa da comunidade