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Suposta estratégia para impedir o voto de mulheres nos EUA

Lei Salvaguarda da Elegibilidade Eleitoral (Save Act) exige certidão de nascimento ou documento de cidadania para votar, risco de disenfranquear minorias e mulheres

‘‘We all know, intuitively, that a lot of illegals are voting in federal elections,” Mike Johnson said during a press conference.
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  • O Save Act criaria exigência de certificado de nascimento, passaporte ou documento de cidadania para registrar ou atualizar o voto, potencialmente excluindo milhões de cidadãos sem esses documentos.
  • Mulheres que adotaram o sobrenome do cônjuge encontrariam dificuldade, já que muitos não teriam certidão com o nome atual; o texto não prevê alternativa com certidão de mudança de nome ou certificado de casamento.
  • A lei também atenderia a mudanças no registro online, obrigando comparecer pessoalmente com documentos originais para atualizar informações de voto.
  • Um projeto similar já foi aplicado entre 2013 e 2017 em Kansas, resultando em mais de 30 mil eleitores impedidos de votar; autoridades indicam impacto desproporcional sobre mulheres casadas, pessoas de baixa renda, pessoas com deficiência e grupos marginalizados.
  • Há impulso político para aprovar o Save Act antes das eleições de meio de mandato, sob a justificativa de combater fraudes, mas a viabilidade de aprovação permanece incerta.

O projeto de lei conhecido como Save Act, defendido pela administração de Donald Trump, pode alterar o registro de eleitores e impactar as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A proposta seria apresentada no Congresso e, se aprovada, exigiria documentação de cidadania para registro ou atualização eleitoral. A medida ganhou tração após críticas sobre fraudes eleitorais não comprovadas.

Segundo a proposta, cidadãos precisariam apresentar certidão de nascimento, passaporte ou outro documento oficial para registrar ou re registrar o voto. Estudos indicam que milhões de cidadãos podem não ter acesso fácil a esses documentos, o que afeta especialmente grupos minoritários.

O Save Act também prevê mudanças no registro eletrônico de eleitores. A assistência presencial seria necessária para atualizar informações, tornando o processo mais oneroso para quem vive longe de centros de atendimento ou enfrenta barreiras logísticas.

Especialistas apontam que leis de comprovação de cidadania já testadas em outros locais mostraram dificuldades para implementação e alto custo, com impactos desproporcionais sobre pessoas de baixa renda, pessoas com deficiência, mulheres casadas e eleitores marginalizados.

Relatórios de organizações de direitos civis destacam que uma parcela significativa de eleitores não teria documentos compatíveis com o nome legal atual, como no caso de mulheres que mudaram de nome após o casamento. O benefício alegado pela lei não inclui opções suficientes para compatibilizar nomes.

A discussão sobre o tema ocorre em meio a críticas de que a iniciativa busca favorecer determinados grupos em períodos eleitorais, ainda que os defensores apresentem a justificativa de reduzir fraudes. Dados de pesquisas e de análise independente indicam baixa incidência de votos de não cidadãos em eleições federais.

Historicamente, propostas semelhantes já passaram pela Câmara, mas enfrentaram variação de entusiasmo e entraves no Senado. Nos últimos meses, o tema ganhou novo impulso, com líderes partidários e aliados de Trump defendendo versões mais restritivas do texto.

A equipe da administração tem explorado estratégias para avançar o tema antes das eleições de meio de mandato, embora não haja confirmação de data de votação. A discussão envolve também propostas de identificação nacional de eleitores em diferentes escalas.

Em resposta, organizações de defesa do voto destacam que medidas de verificação de cidadania precisam ser avaliadas com cautela, para evitar excluir eleitores elegíveis. Pesquisas indicam que a confiabilidade de alegações de fraude não é respaldada por dados consistentes.

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