- A ministra da cultura, Rachida Dati, candidata do Les Républicains, busca tornar-se prefeita de Paris e tirar a cidade da esquerda, que governa há 25 anos.
- Dati propõe ampliar policiamento e videomonitoramento, revisar critérios de moradia social para privilegiar trabalhadores locais, reduzir dívida e privatizar a coleta de lixo, mantendo áreas pedonais ao longo do Sena.
- A eleição de março está acirrada; a esquerda une forças para impedir a vitória de Dati, com Emmanuel Grégoire, deputado municipal socialista, disputando o confronto.
- Dati enfrentará um julgamento em setembro por supostas irregularidades e abuso de poder relacionados a um lobby com o grupo Renault-Nissan; ela nega as acusações.
- Além de Grégoire, concorrem Sarah Knafo (Reconquête, direita radical) e Pierre-Yves Bournazel (centrista); sondagens indicam resultado incerto.
Rachida Dati, ministra da Cultura, busca se tornar prefeita de Paris em meio a uma disputa acirrada que pode redefinir a gestão da capital francesa. A candidatura de 2024 surge após 25 anos sob oposição de esquerda, em um momento de crise habitacional e temperaturas extremas.
A trajetória de Dati é marcada por ter sido a primeira mulher de origem norte-africana e muçulmana a ocupar um cargo relevante no governo francês. Aos 60 anos, pretende ampliar policiamento, ampliar câmeras de vigilância e mudar regras de moradia social para favorecer trabalhadores locais, além de privatizar a coleta de lixo.
O cenário político envolve o Partido Republicano, de direita, ao qual Dati pertence, contra uma frente de esquerda liderada pelo candidato Emmanuel Grégoire, apoiado por Socialistas, Verdes e Comunistas. A coalizão busca preservar políticas ambientais e habitação social.
Dati enfrenta ainda uma dificuldade jurídica: há um julgamento marcado para setembro em Paris por suposta corrupção e abuso de poder ligados a uma atuação no Parlamento Europeu. Ela nega as acusações e prossegue com a campanha.
Analistas indicam que a eleição está muito aberta. A notoriedade de Dati é uma vantagem, porém a percepção pública é mista, com alta rejeição em parte da população. Grégoire aposta na continuidade das políticas da esquerda e em ampliação de áreas de ciclovias.
No campo eleitoral, candidatos menores também podem influenciar o resultado ao atingir bairros mais ricos, principalmente na parte ocidental de Paris. Um desses concorrentes é Sarah Knafo, ligada a um partido de direita radical, que afirma poder colaborar com Dati sob condições.
O eleitorado de Paris também acompanha mudanças locais, como o endurecimento de avaliação de monitores escolares após casos de abuso em creches e escolas. A cidade continua a lidar com críticas à gestão de turismo, moradia e mobilidade urbana.
O atual prefeito informal, não buscando a reeleição, estimulou o debate sobre políticas de mobilidade positiva e proteção ao meio ambiente. A prefeitura enfrenta pressão para manter investimentos em áreas verdes e reduzir impactos das altas temperaturas urbanas.
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