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Brasil precisa mudar estratégia contra infiltração do crime organizado, diz HRW

HRW recomenda reformular políticas de segurança para enfrentar infiltração do crime no Estado, com investigações baseadas em inteligência; tema deve dominar a eleição

Placa de trânsito na RR-205, que dá acesso a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, pinchada com sigla do PCC. — Foto: Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Reprodução
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  • A Human Rights Watch afirma que o Brasil precisa mudar a estratégia de segurança pública para enfrentar o crime organizado e sua infiltração no Estado, segundo o relatório mundial de 2026.
  • No capítulo sobre o Brasil, a HRW defende reformulação ampla das políticas, com ênfase em enfrentar facções criminosas e em investigações profundas baseadas em inteligência.
  • A ONG cita casos de infiltração de policiais e, às vezes, de políticos locais, defendendo que autoridades conduzam investigações para identificar vínculos entre criminosos e poder público.
  • Entre as sugestões estão: políticas baseadas em ciência e dados, proteção de direitos de população e policiais, investigação prioritária, independência de perícias e melhor coordenação entre órgãos federais e estaduais.
  • A segurança pública é tema de grande preocupação no Brasil, com propostas de ampliar poderes federais e endurecer punições; a HRW ressalta que o modelo atual de confrontos pode aumentar a violência.

A Human Rights Watch (HRW) afirma que o Brasil precisa revisar sua estratégia de segurança para enfrentar a infiltração do crime organizado no Estado. O alerta consta no relatório mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4), que analisa direitos humanos em mais de cem países.

No capítulo dedicado ao Brasil, a HRW defende uma reformulação ampla das políticas de segurança, com foco no enfrentamento às facções criminosas. O relatório destaca a necessidade de investigações aprofundadas e baseadas na inteligência para mapear vínculos entre criminosos e setores públicos, inclusive a nível local.

César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, disse ao g1 que há relatos de promotores que apontam a participação de policiais em casos vinculados a facções. Segundo ele, as facções cooptam agentes e, em alguns casos, políticos locais, o que compromete instituições.

Propostas da HRW

Entre as sugestões, a ONG cita políticas baseadas em ciência e dados para desmantelar grupos criminosos, proteção aos direitos da população e dos policiais, e prioridade à investigação policial. Também defende independência de perícias e melhor coordenação entre federais e estaduais para enfrentar tráfico de armas, lavagem de dinheiro e fontes de renda das facções.

Investigações recentes indicam atuação do PCC em transporte público e no setor de combustíveis, com uso de fundos de investimento em operações de lavagem. Casos envolvendo fraudes em prefeituras também foram apontados pela HRW como sinais de infiltração no setor público.

A HRW aponta que as políticas de confronto direto com operações militares, usadas historicamente, aumentaram a violência. O relatório recomenda medidas que protejam direitos de toda a população, incluindo policiais, e alertam para insuficiências na proteção de minorias diante da violência.

Contexto eleitoral e social

A segurança pública figura entre as maiores preocupações dos brasileiros, segundo pesquisas. Dados recentes indicam que 41% da população coloca crime e violência como principales problemas. O tema ganha relevância à medida que propostas como a PEC da Segurança Pública e endurecimento de punições para facções tramitam no Congresso.

Muñoz afirma que propostas sólidas, baseadas em ciência e dados, são essenciais para desmantelar grupos criminosos sem comprometer direitos. O tema deve ocupar espaço relevante no debate eleitoral de outubro.

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