- Em maio de 2010, Gordon Brown anunciou sua renúncia como primeiro-ministro, após eleição em que nenhum partido conquistara maioria estável.
- Um e‑mail supostamente enviado por Peter Mandelson a Jeffrey Epstein dizia “Finally got him to go today”, sugerindo um possível repasse de informações privilegiadas.
- O alegado tip-off permitiu a Epstein ter visão antecipada sobre o destino político do Reino Unido e movimentos importantes de mercados, como o câmbio e títulos.
- Naquele fim de semana, autoridades europeias anunciaram um resgate da zona do euro no valor de €750 bilhões, com €250 bilhões adicionais do Fundo Monetário Internacional, provocando reações rápidas nos mercados.
- Keir Starmer pediu que a polícia investigasse as denúncias de vazamento de informações sensíveis, destacando a necessidade de apurar possível abuso de poder público.
Gordon Brown anunciou sua renúncia como primeiro-ministro do Reino Unido em Downing Street, em maio de 2010, após uma eleição geral sem maioria clara. A decisão chegou após dias de negociação entre partidos e foi comunicada a um círculo restrito, incluindo Nick Clegg, cerca de 10 minutos antes do anúncio público.
Horas antes, Jeffrey Epstein, financista bem conectado e condenado por crimes sexuais, foi informado por meio de uma mensagem atribuída a Peter Mandelson. A comunicação indicava que Brown “conseguiria que ele fosse embora”, sugerindo um briefing antecipado sobre a direção política do país.
A suposta pista de Epstein também apontou para impactos nos mercados globais. O pound britânico já vinha reagindo de forma volátil desde a eleição de maio, com queda de 2,2% no dia da votação, refletindo temores de um parlamento fragmentado.
Naquela manhã, a libra subiu acima de dois centavos para 1,505 dólar, mas recuperou os ganhos após o anúncio da renúncia e das negociações de coalizão entre Partido Trabalhista e Liberal Democrata. No dia seguinte, a libra ganhou mais 1 centavo, com negociação da coalizão aos olhos do mercado.
Não há evidência de operações com base nesses vazamentos, mas o material apresentado sugere um tipo de informação privilegiada compartilhada com Epstein, conforme documentos do Departamento de Justiça dos EUA divulgados recentemente. A divulgação provocou críticas no Reino Unido e levou Keir Starmer a pedir investigações policiais.
Entre as acusações estudadas, está a possibilidade de que Mandelson tenha passado ao empresário informações sobre um eventual acordo de resgate europeu envolvendo a zona do euro. A crise da dívida soberana na Grécia já se arrastava desde 2008, com reverberações em Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, e risco de colapso da zona do euro.
Repercussões no mercado e resposta política
Em maio de 2010, ministros da zona do euro discutiam um pacote de apoio para defender a moeda comum. A aposta de resgate chegou a €750 bilhões, com reforço do FMI, anunciado na madrugada seguinte. O anúncio alterou a sua percepção de risco e movimentou índices europeus na sessão seguinte.
Analistas de mercado indicam que, se as informações tivessem sido utilizadas para operar, haveria tempo limitado para trades antes do pacote ser divulgado, dada a volatilidade que o tema já gerava.
Acontecimentos desse tipo acendem debates sobre integridade pública e devem ser apurados pelas autoridades competentes. Organizações de combate à corrupção defendem investigação para apurar condutas sob a legislação aplicável.
O cenário político britânico, com a crise de confiança pública, permanece em foco. Reformas para ampliar a transparência e a responsabilidade pública são discutidas, sem que haja conclusão anunciada até o momento.
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