- Congresso aprovou reajuste e gratificação de até 100% para servidores da Câmara e do Senado; os pagamentos podem superar o teto do funcionalismo, de R$ 46.366,19, em votações simbólicas.
- Os projetos (Câmara: PL 179/2026; Senado: PL 6070/2026) criam licença compensatória por acumulação de atribuições, com até 10 folgas por mês, conforme função.
- A Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE) varia entre 40% e 100% do vencimento básico; no Senado, o ganho acompanha a carreira, enquanto na Câmara incide sobre o maior vencimento da função.
- As licenças podem virar pagamento indenizatório, sem descontos de IR ou previdência, nem integração ao salário ou à aposentadoria; as despesas serão cobertas por dotações existentes.
- As votações tiveram apoio da base do governo e da oposição, com críticas de membros do Novo quanto à rapidez da análise e ao risco de superar o teto, e o texto segue para sanção presidencial.
A Câmara dos Deputados e o Senado aprobaram dois projetos de lei nesta terça-feira (3) que asseguram reajuste e gratificação de até 100% para servidores do Legislativo. Os benefícios podem provocar remunerações acima do teto do funcionalismo, fixado em 46.366,19 reais. As votações foram simbólicas, sem registro individual de votos.
O PL 179/2026, da Câmara, foi aprovado pelas duas casas na tarde de hoje. O PL 6070/2026, do Senado, já havia sido aprovado pelos senadores em dezembro e recebeu o aval da Câmara nesta terça. Os textos seguem para sanção presidencial.
Os projetos criam uma licença compensatória para servidores com múltiplas atribuições e funções de alta complexidade institucional em cargos comissionados. A regra permite uma licença a cada três dias trabalhados, até o limite de 10 folgas por mês.
Diferentes que a Câmara, que foca em funções de nível FC-4 ou superior, o texto do Senado abrange cargos em comissão, função comissionada ou assessoramento superior.
A regra de licença varia entre um dia de licença a cada 10 dias de trabalho, e o máximo de um dia a cada três dias, conforme o grau de responsabilidade. A regulamentação ficará a cargo da Presidência do Senado.
As licenças podem ser convertidas em pagamento, sem descontos de Imposto de Renda ou previdência, nem integração ao salário ou à aposentadoria. O objetivo é remunerar a complexidade e a dedicação das funções.
Na Câmara, a proposta também institui a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), com valor entre 40% e 100% do vencimento básico. No Senado, a gratificação incide sobre o vencimento básico do cargo, variando ao longo da carreira.
A GDAE terá efeito sobre os proventos de aposentadoria e pensão, desde que haja paridade com servidores da ativa. O Senado prevê a média dos percentuais atribuídos aos servidores em atividade para aposentados.
A despesa das propostas deve ser coberta por dotações orçamentárias já existentes, sem abertura de créditos adicionais. Não há necessidade de novos recursos para a implementação.
A tramitação gerou debate na Câmara, mesmo com votação simbólica. A base de apoio do governo Lula, tanto PT quanto oposição, apoiou os textos, ao passo que o Novo foi contrária. O acordo entre líderes facilitou a pauta.
Durante a sessão, a deputada Adriana Ventura, do Novo, criticou a análise apressada e questionou se parte dos salários ficaria acima do teto. A presidência da Câmara afirmou que o banco de horas compõe o quadro. No Senado, o único voto contrário foi do senador Eduardo Girão, também do Novo.
Outros parlamentares apresentaram votos contrários por escrito, enquanto líderes defenderam o reajuste como direito dos servidores após anos sem reajustes. Em defesa, o presidente da Câmara destacou que o reajuste busca valorização dos profissionais.
Kim Kataguiri, do União, pediu votação nominal, mas o pedido foi rejeitado. Ele criticou o que chamou de supersalários para o Legislativo, em comparação com outras carreiras públicas. A discussão manteve o foco nas regras de remuneração e nos impactos orçamentários.
Ponto-chave das propostas
As duas propostas mantêm o caráter indenizatório da parcela, não incorporando valores a salários, aposentadorias ou pensões. A tramitação final depende da sanção presidencial para virar norma formal.
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