- Campanha exige divulgação completa da participação de Peter Mandelson na empresa Palantir e possíveis vazamentos de informações sensíveis.
- Palantir tem contratos com o governo britânico superiores a £ 500 milhões e já atuou com tecnologia militar para a Defesa do Reino Unido.
- O espetáculo de Mandelson junto com Keir Starmer em visita aos showrooms da Palantir em Washington ocorreu em fevereiro de 2025, pouco depois de Mandelson se tornar embaixador nos EUA.
- Em janeiro, o Ministério da Defesa assinou um contrato de £ 241 milhões com a Palantir para impulsionar IA militar e inovação.
- Grupos de defesa e oposicionistas pedem apuração independente sobre o papel de Mandelson nas negociações com a Palantir e questionam se houve outras reuniões não divulgadas.
Peter Mandelson enfrenta pedidos de transparência sobre seu envolvimento com a empresa de tecnologia Palantir, com receios de que informações sensíveis possam ter sido reveladas além do alegado em mensagens enviadas a Jeffrey Epstein. A mobilização ocorre em meio a discussões sobre contratos do governo britânico com a Palantir, avaliados em mais de meio bilhão de libras.
A empresa Palantir, avaliada em cerca de US$ 300 bilhões, fornece tecnologia militar para as Forças de Defesa de Israel e envolve-se em operações de IA voltadas a decisões de deportação para unidades da ICE nos EUA. No Reino Unido, a Palantir mantém contratos governamentais que somam mais de £500 milhões. Global Counsel, consultoria da qual Mandelson foi sócio e que ainda detém participação, também presta serviços à Palantir.
O cabinet secretary Sir Chris Wormald é pressionado a tornar pública a participação de Mandelson, especialmente após a embaixada britânica ter organizado, em fevereiro de 2025, uma visita de Keir Starmer à mostra da Palantir em Washington, DC. Na ocasião, Mandelson já era embaixador do Reino Unido nos EUA.
Controvérsia Palantir no Reino Unido
Starmer e Mandelson participaram de reuniões com o CEO Alex Karp, que incluiu demonstrações de tecnologia militar. Em seguida, um acordo estratégico entre a Palantir e o Ministério da Defesa, assinado sete meses depois, precedeu um contrato de £241 milhões com a MoD para impulsionar IA militar e inovação, válido por três anos.
Grupos de defesa de tecnologia cívica, como Foxglove, solicitam à Câmara dos Comuns a divulgação de informações sobre a participação de Mandelson nas negociações dos contratos da Palantir. Questionamentos sobre a transparência também envolvem uma suposta ausência de registro público de encontros relevantes, como uma reunião de Starmer com a Palantir que não constou inicialmente no registro de visitas do premiê.
Próximos passos e contexto institucional
Críticos destacam que o contrato da MoD com a Palantir foi atribuído sem competição, o que levanta dúvidas sobre processos de aquisição. Parlamentares, entre eles Chi Onwurah, aguardam resultados de apuração da comissão de ciência e tecnologia sobre os contratos públicos da Palantir e a dependência do governo de grandes fornecedores estrangeiros.
Mandelson deixou a direção da Global Counsel em 2024, mas segundo registros, manteve participação na empresa. Conforme o pedido por maior transparência, autoridades devem esclarecer a extensão do envolvimento de Mandelson e se houve repasse de informações sensíveis a Epstein.
Palantir não comentou o assunto. O governo britânico — incluindo o Gabinete do Primeiro-Ministro, o Cabinet Office e o Ministério da Defesa — foi procurado para se pronunciar.
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