O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa ir além das leis para combater o feminicídio, focando na mudança de comportamento e na educação. A declaração foi dada nesta quinta-feira (05), durante entrevista ao UOL, onde Lula discutiu a eficácia das políticas públicas atuais frente ao que chamou de “epidemia” de […]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa ir além das leis para combater o feminicídio, focando na mudança de comportamento e na educação.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (05), durante entrevista ao UOL, onde Lula discutiu a eficácia das políticas públicas atuais frente ao que chamou de “epidemia” de violência de gênero.
Segundo ele, a criação de leis robustas, como a Lei Maria da Penha, não foi acompanhada por uma redução proporcional nos crimes.
“Depois da Lei Maria da Penha, aumentou a violência contra a mulher. Ontem nós tomamos a decisão de envolver os Três Poderes para assumir a responsabilidade”, declarou o presidente, referindo-se à criação de uma comissão com representantes do Senado, Câmara e Poder Judiciário para tornar as leis mais “exequíveis”.
O papel da sociedade e a “briga de marido e mulher”
Lula também comentou que a luta contra a violência doméstica deve envolver toda a sociedade e que o antigo ditado de não intervir em conflitos de casais precisa ser abandonado.
Questionado sobre medidas efetivas, ele afirmou que é necessário que as pessoas tenham coragem de denunciar ao presenciar agressões.
“Você, se tiver perto da sua casa vendo uma mulher apanhar, você não pode dizer ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. Você tem que pegar seu telefone e ligar para alguém e falar ‘tem um canalha aqui batendo na mulher dele’”, afirmou.
Educação e o “animal macho”
De acordo com o presidente, o problema é cultural e atinge a formação dos homens desde a infância. Ele defendeu que o assunto seja tratado em todos os espaços de convivência masculina e que o currículo escolar deve abordar a igualdade de gênero desde a creche.
Lula disse que orientou líderes sindicais, padres e pastores a pautarem o tema com os homens em suas comunidades.
“Não é nem uma questão de lei, é uma questão de consciência. O animal macho, ser humano, ele é assim mesmo, então temos que educar na escola. Da creche à universidade, tem que estar no currículo escolar esse assunto”, citou o presidente, enfatizando que os meninos precisam crescer entendendo que as meninas são iguais a eles.
Outros assuntos
Além da pauta sobre violência doméstica, o presidente abordou temas de política externa e economia. Lula confirmou que deve viajar aos Estados Unidos em março para uma reunião com Donald Trump e manifestou restrições ao conselho de paz para Gaza proposto pelo americano, cobrando a participação de palestinos no grupo.
No cenário interno, o mandatário comentou as investigações sobre fraudes no INSS, revelando que cobrou explicações do filho, Lulinha, afirmando que ele “pagará o preço” caso haja envolvimento comprovado.
Sobre a gestão econômica, Lula reforçou a confiança em Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, embora tenha mantido as críticas ao patamar atual da taxa Selic. O petista defendeu ainda a discussão sobre mandatos para ministros do STF e a revisão da jornada de trabalho 6×1, projetando que o desempenho da economia será o principal ativo do governo para as disputas eleitorais de 2026.
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