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Duas décadas turbulentas da política tailandesa

Anos de turbulência política antecedem a eleição de fevereiro de 2026, com cinco primeiros-ministros destituídos e duelo entre conservadores, reformistas e populistas

People ride scooters by electoral campaign posters, before Thailand general elections on February 8, in Bangkok, Thailand, February 4, 2026. REUTERS/Maxim Shemetov
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  • Ao longo de duas décadas, a política da Tailândia viu dois golpes, várias manifestações e decisões judiciais que derrubaram cinco primeiros-ministros, evidenciando um embate entre conservadores, reformistas e populistas.
  • Em 2005, o Thai Rak Thai, de Thaksin Shinawatra, venceu com políticas populistas; em 2006, denúncias de corrupção levaram à sua deposição e ele buscou refúgio no exterior.
  • Em 2007 o partido foi dissolvido; uma facção apoiada por Thaksin voltou ao poder com Samak Sundaravej, e em 2008 o governo foi novamente afetado por decisões judiciais e pela volta de Thaksin ao exílio.
  • Entre 2009 e 2010 ocorreram protestos intensos e confrontos que deixaram mais de noventa mortos; em 2011 Yingluck Shinawatra tornou-se primeira-ministra após vitória do Pheu Thai.
  • Nos anos recentes, o Move Forward emergiu vitorioso, mas enfrentou bloqueios institucionais; em 2024, o partido foi dissolvido e Yingluck/Paetongtarn Shinawatra assumiu etapas de poder, levando a dissolução do parlamento em 2025 e eleição marcada para 8 de fevereiro de 2026.

A Thailand tem vivido uma luta de poder que atravessa duas décadas, com golpes, protestos de rua e decisões judiciais que derrubaram cinco primeiros-ministros. O cenário reflete a competição entre conservadores, reformistas e populistas, em meio a eleições marcadas para 8 de fevereiro de 2026.

O ciclo político atual é marcado por crises que se repetem, mudanças de governo e intervenção militar. O eleitorado acompanha a cada etapa o impacto sobre políticas públicas, robustez institucional e o futuro da reforma constitucional.

2005-2008: ascensão populista e ruptura institucional

Em 2005, o partido Thai Rak Thai, de Thaksin Shinawatra, conquista um segundo mandato com políticas populares. Em 2006 surgem acusações de corrupção e abuso de poder, levando a mobilizações via camisas amarelas e à destituição do governo em setembro, com o exílio de Thaksin.

Em 2007, a dissolução do Thai Rak Thai é confirmada por um tribunal. A eleição que sucede é vencida por uma reencarnação do partido, agora apoiada por Thaksin, o People Power Party, com Samak Sundaravej no cargo.

2008-2010: retorno, tensões e violência

Thaksin retorna ao país em 2008; em setembro, Samak é destituído por receber pagamentos por um programa de TV. O Parlamento escolhe Somchai Wongsawat como primeiro-ministro. Thaksin foge do país antes de uma sentença de conflito de interesses.

Protestos de “Camisas Amarelas” atingem Bangkok, fechando dois aeroportos por 10 dias. A Corte Constitucional dissolve o People Power Party por fraude eleitoral, e Abhisit Vejjajiva assume o cargo de primeiro-ministro.

2009-2011: movimento vermelho, plebiscito e vitória de Yingluck

Em 2009, defensores de Thaksin organizam protestos em Bangkok contra o governo liderado pelos Democratas. Em 2011, o Pheu Thai vence com Yingluck Shinawatra, irmã de Thaksin, tornando-se primeira-ministra.

2013-2014: insurreição contra reformas e golpe

Protestos contra o governo de Yingluck ganham força após uma proposta de anistia. Em 2014, Yingluck deixa o cargo. O’armée se envolve, Prayuth Chan-ocha assume e anuncia a dissolução do Parlamento, instaurando uma junta.

2015-2020: constituição militar e disputas eleitorais

A partir de 2017, Yingluck foge do país diante de uma condenação. Em plebiscito, é aprovada uma nova constituição redigida pelo militares. Em 2019, o Pheu Thai obtém mais cadeiras, mas o governo fica com o Palang Pracharat, alinhado ao poder militar.

Em 2020, a dissolução do Future Forward, por irregularidades de financiamento, fortalece o movimento pró-reformas e inicia uma onda de protestos estudantis, defendendo reformas da monarquia.

2023-2024: mudanças eleitorais, vitória do Move Forward vs. resistência militar

Move Forward ganha a maioria na eleição de 2023, com o Pheu Thai logo atrás, formando aliança, mas encontra obstrução de deputados e senadores ligados ao militar. Em agosto, Srettha Thavisin é eleito primeiro-ministro, abrindo governo com apoio de partidos pró-militares. Thaksin retorna do exílio no mesmo dia.

Em 2024, o Move Forward é dissolvido pela Corte Constitucional por campanha, e Thaksin adota nova estratégia, com Paetongtarn Shinawatra assumindo função de primeira-ministra por alguns meses antes de ser substituída. Em agosto, Srettha é afastado por questões éticas, e a mudança abre caminho para novas disputas políticas.

2024-2026: trajetória para as eleições de 8 de fevereiro de 2026

Em fevereiro de 2024, Thaksin obtém liberação condicional. Em agosto, a Corte dissolveu Move Forward e, dias depois, destituiu Srettha sob acusações éticas. Em 2025, o Parlamento foi dissolvido e, em agosto, o governo assinou a convocação para as eleições de 8 de fevereiro de 2026.

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