- Peter Mandelson começou a buscar orientação de Jeffrey Epstein para conseguir cargos “altamente remunerados” em empresas como Glencore e BP poucos dias após a derrota do Labour em 2010.
- Os e-mails mostraram Epstein orientando Mandelson enquanto ele tentava promover a sua entrada na Glencore, sobretudo durante o processo de abertura de capital da empresa em 2011.
- Também houve ideia de Mandelson assumir um papel de “fireman” para a BP, ajudando a gerir a crise provocada pelo vazamento da Deepwater Horizon.
- As mensagens indicam que Mandelson considerava opções como um papel para Glencore, inclusive com possíveis informes a Nat Rothschild para influenciar a empresa.
- Mandelson acabou fechando um acordo com a sua empresa Global Counsel para prestar consultoria estratégica à Glencore; BP e Glencore não comentaram.
Peter Mandelson procurou orientação de Jeffrey Epstein sobre oportunidades de trabalho bem remuneradas em empresas como Glencore e BP, poucas semanas após a derrota do Labour nas eleições de 2010. Os e-mails mostram o acompanhamento de Epstein e a atuação de Mandelson em busca de cargos de alto escalão.
Os documentos indicam que Mandelson discutiu uma possível função de chairman em Glencore durante a corrida deinição da empresa a um IPO bilionário. A correspondência relata interesse de Epstein em articular contatos com Nat Rothschild e o executivo Ivan Glasenberg.
Em maio de 2010, 11 dias após a derrota do Labour, Mandelson informou estar prestes a encontrar Glasenberg. Também sugeriu que Rothschild poderia facilitar conversas com Glencore sobre a possibilidade de Mandelson integrar a companhia.
As mensagens destacam ainda o interesse pelo papel de consultor na gestão da reputação de BP após o desastre do Deepwater Horizon. Epstein sugeriu que Mandelson entrasse na crise em posição de liderança.
No contexto, Mandelson buscou alternativas, incluindo uma oferta de Deutsche Bank. A estratégia conjunta com Epstein sugeria usar contatos para influenciar decisões de Glencore antes do IPO de 2011.
Em julho, Mandelson enviou uma carta a Glasenberg, apresentando-se como mão experiente e destacando conhecimentos em política, governo e regulação. O objetivo era contribuir para a preparação da listagem.
Mesmo com o andamento das tratativas, fontes próximas à Rothschild indicaram que Mandelson não teve chances reais de chefiar a Glencore durante o float. Ainda assim, ele acabou fechando com a Global Counsel para prestar serviços de aconselhamento estratégico à Glencore.
Blair também foi mencionado como pessoa ligada a trabalhos remunerados nesse círculo de negócios, envolvendo acordos com a Glencore e com outras fusões. A Guardian procurou Mandelson para comentar, mas Glencore e BP não comentaram.
Contexto e desdobramentos
- As conversas mostram o interesse de Mandelson em cargos lucrativos após deixar o governo.
- Glencore planejava um IPO de grande impacto financeiro em 2011.
- Epstien atuou como mediador e mentor em várias tratativas.
- Não há confirmação de oferta efetiva ou aprovação de cargos.
As informações vêm de arquivos da justiça americana, entre milhões de páginas referentes a Epstein. O jornal não revelou detalhes confidenciais nem supostos contatos adicionais.
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