- O senador italiano Angelo Bonelli é alvo de interpelação no Senado por supostamente ter ajudado a polícia a localizar Carla Zambelli em Roma, em julho de 2025; o documento cita que uma pessoa repassou dados precisos, e o colega Matteo Gelmetti questiona as fontes.
- O requerimento, dirigido aos ministros da Justiça, do Interior e das Relações Exteriores, foi depositado em 28 de janeiro e tornou-se público nesta quinta-feira; é a primeira manifestação formal de Gelmetti sobre o caso, apesar de Zambelli já estar presa há mais de seis meses.
- A interpelação critica o que o senador Lokal chama de supostas falhas processuais no Brasil e questiona possível violação de dados e privacidade, além de indagar se houve contatos com representantes brasileiros e acesso a arquivos reservados.
- A Corte de Apelação de Roma marcou para 10 de fevereiro a decisão sobre o pedido da defesa de Zambelli de trocar o colegiado de juízes responsável pela extradição, levando em conta o julgamento da extradição previsto para 11 de fevereiro.
- O STF condenou Zambelli em dois processos, com trânsito em julgado: dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes e cinco anos e três meses por porte de arma e perseguição; Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro. Em outubro, o Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição.
A interpelção formal de um senador italiano envolve a ex-deputada brasileira Carla Zambelli. O caso ganhou contornos diplomáticos após relatos de que a polícia italiana teria contado com informações fornecidas por terceiros para localizá-la em Roma, em julho de 2025. A discussão chegou ao Senado, com o foco em esclarecer como ocorreu a prisão.
O deputado Angelo Bonelli, da oposição ao governo de Giorgia Meloni, é apontado como alvo da interpelação. O texto oficial não cita nomes, mas Bonelli afirma ter sido acusado de vazamento de informações, ressaltando ter cumprido seu dever cívico. A defesa alega que houve troca de informações com autoridades.
O senador Matteo Gelmetti, do Fratelli d’Italia, sustenta que a origem dos dados não foi esclarecida e questiona se houve contatos com representantes brasileiros. Também indaga sobre possíveis acesso a arquivos restritos durante o processo. A interpelação foi protocolada em 28 de janeiro e tornou-se pública recentemente.
Críticas a Moraes
Na peça, Gelmetti aponta o que considera irregularidades no processo brasileiro, citando um suposto acúmulo de funções pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que, segundo ele, teria atuado em várias funções no caso. O senador também questiona riscos de violação de direitos humanos caso haja extradição de Zambelli.
Pedido de defesa por troca de corte
Paralelamente, o Judiciário italiano avança no calendário processual da extradição. A Corte de Apelação de Roma marcou para 10 de fevereiro a análise do pedido de troca de colegiado formulado pela defesa de Zambelli. A audiência de mérito está prevista para 11 de fevereiro.
A condenação e fuga de Zambelli
O STF condenou Zambelli em dois processos com trânsito em julgado, o que inicia o cumprimento das penas. Ela enfrenta dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir mandado de prisão falso contra o ministro Moraes e mais cinco anos e três meses por porte de arma e perseguição a alguém, ambas em contextos distintos no Brasil.
Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro, após decisão da Câmara manter sua cassação, mas o STF anulou a sessão e a deputada apresentou carta de renúncia. Em outubro, o Ministério Público italiano já havia se manifestado favorável à extradição.
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