- Em 2025, a segurança pública foi o tema dominante entre propostas de deputados que se identificam como cristãos, com 668 PLs, segundo monitoramento do ISER.
- Ao todo, há 3.320 projetos assinados por parlamentares que se declaram cristãos, organizados em 17 temas, com grande concentração em segurança pública.
- Os quatro autores mais ativos na pauta são Marcos Pollon, André Fernandes, Kim Kataguiri e Capitão Alden, responsáveis por 230 propostas somadas, todos integrantes da Frente Parlamentar Evangélica.
- As proposições costumam propor endurecimento de penas, ampliação de dispositivos contra terrorismo e até militarização de guardas municipais, além de ampliar o uso de tecnologias de vigilância e de força de segurança.
- Ceará aparece entre os estados com mais propostas em segurança pública (78 PLs), com São Paulo e Rio de Janeiro liderando o ranking, e há destaque para ações ligadas a operações policiais e nomeações de autoridades ligadas ao tema.
A segurança pública tornou-se a linha central entre projetos apresentados por parlamentares que se identificam como católicos, evangélicos ou cristãos na Câmara. Em 2025, foram 668 propostas nesse tema, segundo monitoramento do ISER, obtido pelo jornal. O conjunto de dados envolve 3.320 propostas assinadas por deputados que se declaram cristãos, com 17 temas categorizados.
O estudo mostra que a maior parte das propostas de segurança pública vem de deputados da direita, com PL liderando o ranking com 262 iniciativas, seguido pelo União, com 100. Entre a esquerda, PDT soma 24 projetos e PT, 22. Católicos, cristãos e evangélicos somam 485 propostas, ao passo que parlamentares de outras religiões somam apenas cinco.
O monitoramento revela que o debate está calcado na defesa da vida e da família, mas, na prática, propõe endurecimento de penas e ações de controle social. A Associação Nacional Movimento Pro Armas é apontada como um dos principais articuladores, financiando campanhas e influenciando candidaturas de religiosos pró-armamento, conforme estudo do ISER com dados do início da década.
O que dizem os projetos
A maior parte das propostas busca ampliar punições e ampliar o poder policial, citando episódios de alta repercussão, como operações policiais recentes. Em alguns casos, há expansão de conceitos como terrorismo e organização criminosa, com propostas que defendem maior atuação de forças federais e guarda municipal.
Alguns projetos avançam além do simples enquadramento de crimes, propondo reconhecimento a agentes de segurança por ações de resultado. Um exemplo é o PL 6525, que estabelece certificado de reconhecimento, medalha de bravura e pagamento ao policial que neutralizar criminosos de alta periculosidade em serviço, com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
No recorte regional, o Ceará aparece com 78 proposições em segurança pública, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro em número de propostas. Também se destacam medidas que ampliam o uso de tecnologias bélicas, como drones e helicópteros, e endurecem penas para organizações criminosas que utilizem tais recursos.
Ao longo de 2025, a atuação da comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara tem sido marcada por audiências com tom de enfrentamento ao Executivo. O foco tem sido o endurecimento penal, o combate ao crime organizado e a ampliação de atribuições das forças de segurança, incluindo apoio das Forças Armadas.
Quem lidera a agenda
Quatro parlamentares respondem sozinhos por 230 propostas: Marcos Pollon (PL-MS) com 85 PLs, André Fernandes (PL-CE) com 61, Kim Kataguiri (União-SP) e Capitão Alden (PL-BA) com 42 cada. Todos integram a Frente Parlamentar Evangélica e a Frente Parlamentar da Segurança Pública. Pollon destaca-se também na comissão, embora não esteja entre os dez mais atuantes da CCJ em temas de segurança.
O presidente da comissão, Paulo Bilynskyj (PL-SP), concentra-se em outros temas, como os direitos de crianças e adolescentes. Sua atuação inclui proposições que visam bloquear resoluções de órgãos como o Conanda, com assinatura de várias bancadas, e atua como relator de propostas de monitoramento, cooperação entre polícias e tecnologia de vigilância.
Em 2025, a condução da comissão reforçou o tom de enfrentamento ao Executivo, com ênfase em tecnologia de vigilância, ampliação de competências das forças de segurança e, em alguns casos, a defesa de maior presença militar em operações de segurança pública. A composição da CCJ reflete um eixo de atuação ideológica entre parlamentares alinhados a pautas de endurecimento.
Contexto político e redes
Além do grupo de Pollon e seus aliados, Kim Kataguiri, do MBL, atua para consolidar candidaturas de nomes ligados ao grupo e já prepara o caminho para a formalização de um partido. Kataguiri protocolou no ano anterior o PL 6182, que restringe conteúdos que retratem ou glorifiquem crimes, alinhando-se a uma linha de discurso de combate à violência.
Capitão Alden reforça a retórica pró-ação policial, com mensagens sobre guerra contra o crime e críticas a supostos direitos desproporcionais a criminosos. Seu conteúdo está conectado a uma rede de parlamentares da Frente Evangélica, com apoio de hashtags e mensagens que defendem endurecimento e militarização das respostas à violência.
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