- Ben Wegg-Prosser pediu demissão do cargo de CEO da Global Counsel, após a divulgação de mensagens que mostram a participação de Jeffrey Epstein na criação da empresa em 2010.
- Os e-mails sugerem que Mandelson e Wegg-Prosser buscaram a ajuda de Epstein para estruturar a firma e localizar potenciais clientes.
- A saída ocorre em meio a crise na Global Counsel, que tem forte ligação com o Partido Trabalhista e já viu o Barclays cortar relações com a empresa.
- A Global Counsel informou que está fechando a venda das ações de Mandelson; Rebecca Park assume a gestão executiva. Mandelson detinha 21% das ações; Wegg-Prosser tinha 29%.
- A empresa afirma que, após as tratativas, a operação de desvinculação de Mandelson será concluída e que a orientação permanece independente e voltada a clientes.
Ben Wegg-Prosser, fundador e CEO da Global Counsel, deixou a empresa nesta sexta-feira após a revelação, nos chamados arquivos Epstein, de que o empresário era consultado na montagem da firma em 2010. A saída ocorreu em meio a pressão de clientes e investidores.
A Global Counsel, escritório de lobby com ligações próximas ao Labour, enfrentou uma crise após a divulgação dos documentos. Entre os clientes citados estão a Palantir, empresa de tecnologia e contratante do governo. Barclays já deixou de manter vínculos com a firma.
A empresa informou que já houve acordo para a venda das ações de Mandelson, ex-ministro do governo britânico, na Global Counsel, concluindo a operação ainda no dia. A medida visa encerrar a participação de Mandelson na empresa.
O chaire Archie Norman afirmou que a conclusão da venda encerrará qualquer ligação entre a Global Counsel e Mandelson. A assessoria da firma assegurou que a organização continua autônoma, buscando oferecer aconselhamento independente aos clientes.
Contexto e desdobramentos
Documentos financeiros mostram que Mandelson possuía 21% das ações até outubro de 2025, enquanto Wegg-Prosser detinha 29%. A expectativa é de que Rebecca Park assuma a participação de Mandelson após a conclusão da operação.
Os registros indicam que Mandelson procurou Epstein para obter aconselhamento na criação da Global Counsel, ainda que Epstein já fosse condenado por ter assediado uma menor. Em outras comunicações, Wegg-Prosser chegou a encaminhar mensagens diretas a Epstein.
Em New York, em 2010, Mandelson avisou Epstein que Wegg-Prosser viajaria para tratar do plano de negócios da firma. Em outra mensagem, Wegg-Prosser enviou a Epstein um rascunho de declaração a ser usada para mitigar a exposição sobre os laços entre Mandelson e Epstein.
A contabilidade interna mostra que Wegg-Prosser atuou, segundo fontes próximas, como intermediário na relação entre Mandelson e Epstein durante o estágio inicial da Global Counsel. Wegg-Prosser já havia desempenhado papel de destaque no No 10.
Repercussões políticas
Há apreensão no Labour sobre o impacto do caso na relação entre o partido, o setor privado e a elite empresarial. A Global Counsel tem sediado eventos ligados ao Partido em conferências e encontros internos, aumentando o escrutínio público.
Clive Lewis, deputado, comentou que o tema expõe a influência de interesses corporativos no cenário político, destacando a transformação de grupos ligados ao laboral para um ambiente de capital. A bancada tem reagido de forma contida, sem confirmar impactos diretos.
A Global Counsel informou que a gestão é independente e que a direção atual mantém o foco em oferecer aconselhamento de qualidade aos clientes, sem envolvimento com Epstein. A firma também informou que segue com operações regulares.
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