- Entidades ambientais dizem que o Plano Clima, apresentado nesta semana, é tímido e com pouca ambição para o fim do uso de combustíveis fósseis até 2035.
- Observatório do Clima critica a falta de diretrizes claras e metas de redução de emissões, cobrando integração com políticas existentes e roteiros de transição.
- Greenpeace Brasil reconhece avanços em justiça climática e adaptação, mas critica a ausência de medidas concretas para eliminar gradualmente os fósseis e a menor responsabilização do agronegócio nas emissões do desmatamento.
- O plano foca em mitigação e adaptação, não cita diretamente a redução do uso de combustíveis fósseis, mas apresenta diretrizes para reduzir emissões e fortalecer a adaptação de cidades e serviços.
- O governo afirma que o Plano Clima serve de base para compromissos internacionais e foi elaborado pela Casa Civil em parceria com o MMA, o MCTI e 25 ministérios, envolvendo quase 24 mil pessoas e 1.292 propostas; meta final é zerar as emissões líquidas até 2050.
O governo apresentou nesta semana o Plano Clima, um documento com diretrizes para enfrentar as mudanças climáticas até 2035. Entidades do meio ambiente classificam o texto como tímido, com pouca ambição e sem metas claras para o fim do uso de combustíveis fósseis. A avaliação é de observatórios e organizações ambientais.
O Observatório do Clima aponta que as metas de redução de emissões não estão bem definidas e que o plano não se integra a políticas já em vigor nem a roteiros de transição para eliminar combustíveis fósseis e o desmatamento. A organização alerta que, sem integração, a transição pode ficar desigual e ineficaz.
O Greenpeace Brasil também criticou o documento, reconhecendo avanços na justiça climática e na adaptação, mas destacando a ausência de medidas concretas para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A ONG afirma que o plano transfere parte do custo do combate ao desmatamento para o setor público e prevê aumento de emissões no setor de energia sem caminho claro de substituição.
Ambientalistas ressaltam que, sem metas mais ambiciosas, sem mecanismos de fiscalização eficazes e sem financiamento adequado, o Plano Clima pode não enfrentar as causas da crise climática. A avaliação é de que a proposta ainda não oferece base sólida para reduzir impactos de desastres, como enchentes, secas e ondas de calor.
Como o plano foi construído?
O Plano Clima foi coordenado pela Casa Civil, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o MMA e o MCTI. Participaram 25 ministérios, o FBMC e a Rede Clima, com input de sociedade civil, setor privado e pesquisadores.
O governo informou que recebeu 1.292 propostas de cerca de 24 mil pessoas por meio de oficinas, reuniões técnicas e plenárias territoriais. O objetivo declarado é zerar as emissões líquidas do Brasil até 2050, alinhando as ações com o Acordo de Paris.
O documento organiza-se em duas frentes: Mitigação, que trata de energia, transporte, indústria, agropecuária, uso da terra e resíduos; e Adaptação, para tornar cidades e infraestruturas mais resilientes. Também prevê ações transversais como transição justa, financiamento climático e inovação.
Para o governo, o Plano Clima reforça o protagonismo brasileiro na agenda climática internacional ao oferecer diretrizes de longo prazo que vão além de compromissos pontuais. A ministra Marina Silva destacou a importância do instrumento para orientar políticas públicas e privadas.
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