Jair bolsonaro continuará preso na papudinha. A perícia médica da Polícia Federal concluiu que Jair Bolsonaro precisa de acompanhamento contínuo, mas tem condições de permanecer detido. Bolsonaro está no local desde 15 de janeiro, após transferência da Superintendência da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou a nova avaliação no mesmo dia, com prazo […]
Jair bolsonaro continuará preso na papudinha. A perícia médica da Polícia Federal concluiu que Jair Bolsonaro precisa de acompanhamento contínuo, mas tem condições de permanecer detido.
Bolsonaro está no local desde 15 de janeiro, após transferência da Superintendência da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou a nova avaliação no mesmo dia, com prazo de 10 dias para entrega do documento, no contexto do pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.
A equipe médica da PF avaliou Bolsonaro em 20 de janeiro. O laudo descreve um conjunto de cuidados considerados essenciais, como controle rigoroso da pressão arterial, hidratação adequada, dieta fracionada, exames laboratoriais e de imagem em intervalos regulares e uso contínuo de aparelho CPAP, indicado para apneia do sono e ronco.
O relatório também registra que as comorbidades não exigem, neste momento, transferência para hospital. Para a junta pericial, as medidas propostas podem ser atendidas dentro da unidade prisional, desde que se mantenham os protocolos de resposta para urgência e emergência.
A perícia lista sete condições de saúde atribuídas ao ex-presidente: hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra abdominais. O documento relata ainda que exames não confirmaram outros diagnósticos citados pela defesa, como depressão, pneumonia bacteriana não especificada, anemia por deficiência de ferro e sarcopenia.
Além das doenças crônicas, os peritos apontam sinais e sintomas neurológicos que elevam o risco de novas quedas, com indicação de investigação diagnóstica. O laudo menciona um episódio anterior de queda no fim do ano passado, ainda na custódia da PF, seguido de exames em hospital e liberação no mesmo dia. Médicos particulares atribuíram o incidente, em parte, a doses altas de medicamentos usados contra crises de soluço.
A perícia recomenda medidas estruturais e de acompanhamento para reduzir riscos no alojamento, como instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho, campainhas de emergência adicionais ou dispositivos de monitoramento em tempo real e acompanhamento constante nas áreas comuns.
Na última quarta-feira (4) a defesa informou ao Supremo o que chamou de piora recente, com episódios de vômito e crises intensas de soluço. Os advogados sustentam que o quadro de saúde não se ajusta ao ambiente prisional e pedem prisão domiciliar por razões humanitárias, com base em problemas clínicos e na idade de 70 anos.
O documento pericial foi tornado público por decisão de Moraes. O ministro encaminhou o laudo à Procuradoria Geral da República e à defesa, com prazo de cinco dias para manifestações e eventuais pedidos de complementação.
O laudo também registra avaliação do próprio Bolsonaro sobre o local de custódia. Segundo o relatório, ele relatou melhora após a transferência para a Papudinha, com mais espaço para circulação e condições gerais mais favoráveis. Ele afirmou não se incomodar com ruídos, mesmo com obras na unidade, e considerou satisfatória a limpeza, com participação dele na manutenção.
Bolsonaro conta com vários atendimentos e cuidados, como visita semanal de fisioterapeuta particular e sessão de acupuntura para tratar soluços. Ele afirmou que grande parte das visitas médicas ocorre com o dr. Brasil Caiado, responsável por encaminhamentos.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime fechado, por crimes ligados à trama golpista após as eleições de 2022. Na Papudinha, ele ocupa uma Sala de Estado Maior com área total de 64,8 metros quadrados, com área externa, banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. O local integra uma ala mais reservada e com número limitado de presos, descrita como área de maior segurança dentro do complexo.
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