- O cardeal Blase Cupich critica a ofensiva antiimigração de Donald Trump e alerta para as implicações morais de sua política externa.
- Cupich foi signatário, junto com os cardeais Robert McElroy e Joseph Tobin, de uma declaração que questiona o uso da força militar e defende soberania nacional e dignidade humana sem detalhar medidas específicas contra Trump.
- Em Chicago, relatos citados na entrevista afirmam que alguns sacerdotes foram detidos por agentes de imigração com base na cor da pele, gerando medo e indignação entre fiéis e comunidades locais.
- A Igreja é apresentada como atuando para oferecer assistência pastoral a imigrantes vulneráveis, defender a dignidade humana e apelar por participação cívica não violenta.
- Também é destacada a conversa sobre reformas migratórias, a necessidade de vias legais de entrada e trabalho, e a visão de Cupich sobre o papel do Papa e a atuação da Conferência dos Bispos dos EUA.
Cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago, critica a ofensiva anti-imigrante de Donald Trump e alerta para riscos da política externa que, segundo ele, pode comprometer o papel moral dos EUA no mundo. Em entrevista, ele se posiciona a favor da doutrina social da Igreja como guia.
No mês anterior, Cupich firmou, junto com os cardeais Robert McElroy e Joseph Tobin, uma declaração conjunta que critica a condução da política externa norte-americana. O texto cita casos na Venezuela e em Groenlândia, apontando uso da força e violação de soberania como questões centrais.
A declaração foi publicada após a captura de Nicolás Maduro e pressões americanas sobre Groenlândia, eventos que, segundo os arcebispos, fortalecem a polarização e minam o Estado de direito. Os prelados defendem que a fé não pode justificar ações militares.
Cupich destaca que o papel moral do país está sendo testado ao enfrentar o mal, defender a vida e a dignidade humana, além de promover a liberdade religiosa. Afirmou que o debate não pode se reduzir a disputas partidárias, destacando a necessidade de diálogo.
O arcebispo relata uma viagem a Roma em janeiro, quando conheceu outros cardeais que expressaram preocupação com decisões que destoam de consensos de longa data sobre gestão de conflitos. O Papa, nesse contexto, forneceu o tom para abordar as preocupações.
Questionado sobre não mencionar nomes na declaração, ele explicou a intenção de oferecer linguagem comum a cidadãos, destacando que há mais em jogo além do poder nacional e do interesse próprio. A soberania das nações é enfatizada como valor crucial.
Entre os trechos da declaração, está a rejeição à guerra como instrumento de interesses nacionais estreitos. O texto argumenta que ações militares devem ser exceção, não regra, citando Venezuela como exemplo de debates sobre intervenções.
Cupich também comenta sobre o clima de medo gerado por operações de fiscalização de imigração em Chicago e em outras cidades, que teriam levado à detenção de alguns sacerdotes, acusados de terem sido identificados pelo tom da pele. Tais relatos alimentam a indignação local.
A igreja tem enfatizado o papel pastoral para com imigrantes e vulneráveis, defendendo atuação não violenta e participação cidadã. Os sínodos também destacam a necessidade de reformas no sistema migratório, incluindo vias de visto de trabalho mais usadas na Europa.
Sobre o Papa León XIII, Cupich afirma que ele começou com firmeza, buscando governar de forma colaborativa e sem medo de decisões difíceis. O arcebispo não evita criticar políticas, mas ressalta que a igreja foca nos princípios e no benefício humano.
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