- Haddad, ministro da Fazenda, afirmou em São Paulo que a classe dominante entende o Estado como dela, citando a indenização da abolição da escravidão.
- A declaração ocorreu durante o lançamento do livro Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum, que reúne seus estudos de mestrado e doutorado.
- Ele disse que esse problema ajuda a explicar a fragilidade da democracia no Brasil e que o livro aborda transformações que levaram países como a China a seu status atual.
- Haddad saiu do evento sem conversar com a imprensa; na véspera, participou de evento dos 46 anos do PT em Salvador.
- O ministro deixa o cargo neste mês; o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, é citado como favorito para substituí-lo; no PT, Haddad é visto como plano A para o governo de São Paulo, embora não tenha sido candidato.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em São Paulo que a classe dominante do Brasil enxerga o Estado como pertencente a ela. A declaração ocorreu durante o lançamento de um livro do ministro.
Segundo Haddad, o Estado foi concedido aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravatura, o que alimenta um problema persistente e contribui para a fragilidade da democracia no país. O livro apresentado discute transformações econômicas que moldaram o desenvolvimento de nações como a China.
O evento em SP contou com a presença de políticos, jornalistas e especialistas. Estiveram entre os presentes vereadores Marina Bragante e Nabil Bonduki, além de Cláudio da Silva, Neca Setúbal e acadêmicos como Vladimir Safatle e Eugênio Bucci. A secretária de informação e saúde digital Ana Estela Haddad também compareceu.
Saída da Fazenda
Fernando Haddad deve deixar o ministério ainda neste mês. Em entrevista no fim de janeiro, ele informou que comunicou o presidente Lula sobre a decisão e que caberá ao chefe do Executivo indicar o substituto.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, é apontado como favorito para assumir. Durigan atua no cargo desde 2023 e chegou a comandar o ministério interinamente em dezembro de 2025, durante férias de Haddad.
Dentro do PT, Haddad é visto como possível titular de uma candidatura estratégica para o governo de São Paulo, embora tenha manifestado o desejo de não disputar e, em vez disso, focar a coordenação da campanha de reeleição de Lula. Aliados indicam que a decisão pode depender de um convencimento presidencial.
Lula afirmou ao UOL que Haddad tem um papel a cumprir em São Paulo, o que seria determinante para a definição de palanque e para o posicionamento de adversários, como Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede).
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