- O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, quer lançar candidatura própria à Presidência, mas o partido está dividido, com parte das bancadas estaduais defendendo a reeleição de Lula.
- No Nordeste, várias lideranças sinalizam apoio a Lula, incluindo estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Piauí e Alagoas, ainda que o PSD tenha candidatura própria em debate.
- Em Minas Gerais, o cenário é de oposição à reeleição de Lula, com o vice-governador e outras peças da sigla articulando caminhos diferentes; em São Paulo, Kassab atua para manter espaço ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
- Kassab tem buscado ampliar o poder do PSD ao trazer seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania, além de fortalecer alianças com o governador Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO).
- Lula já sinalizou apoio a Rodrigo Pacheco, caso este se candidate a governador de Minas; o partido, apesar de crescer, permanece sem unidade nacional.
O PSD vive uma dança de alianças em meio a uma disputa interna sobre 2026. Gilberto Kassab, presidente da sigla, sinaliza candidatar-se à Presidência, enquanto parcelas das bancadas estaduais já trabalham pela reeleição de Lula (PT). O racha é mais visível no Nordeste, onde o apoio a Lula ganha força entre aliados locais.
Kassab afirma que o partido pode lançar um candidato próprio e cogita a possibilidade de uma chapa puro sangue, citando exemplos recentes de composição interna, como a eleição do governador Ratinho Júnior com vice do PSD e a aliança do prefeito Eduardo Paes com outro nome do partido. O objetivo é ampliar o espaço nacional do PSD.
A aposta de Kassab é consolidar uma terceira via. Nesta semana, ele anunciou que seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania deixam o PSDB para o PSD a partir de 4 de março. Também soma ao PSD o governador Marcos Rocha, de Rondônia, do União.
Em sinal de apoio variável, Kassab indicou alinhamento com o bolsonarismo em cenários de segundo turno. Em possível conflito entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador teria o apoio do PSD, conforme declarações do presidente.
Paralelamente, o PSD já enfrenta realidades regionais com diretórios alinhados a Lula. A contradição entre estratégia nacional e prioridades locais revela um avanço de alianças regionais que favorecem o PT em várias regiões.
No Nordeste, a maioria dos estados sinaliza apoio a Lula, mesmo com a presença de candidaturas próprias do PSD. A região é vista como crucial para a prossecução eleitoral de Lula, o que pode comprometer a unidade nacional do partido.
Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Piauí, Alagoas e Maranhão apresentam diferentes níveis de alinhamento com Lula. Em Bahia, o senador Otto Alencar afirma apoio ao petista. Em Pernambuco, André de Paula atua como aliado de Lula. No Ceará, o PSD segue a linha do governador PT Elmano de Freitas.
Sergipe tem o governador Fábio Mitidieri apoiando Lula. No Piauí, o PSD integra a base do PT de Rafael Fonteles, com Lula apoiando o senador Júlio César como candidato ao Senado. Em Alagoas, Luciano Amaral também apoia Lula. Já no Maranhão, Eduardo Braide mantém posição neutra, mas é visto como potencial aliado.
Em Minas Gerais, a situação é diferente. O PSD local não trabalha pela reeleição de Lula. O governador Romeu Zema pode deixar o cargo para disputar a Presidência, enquanto o vice, Mateus Simões, já articula a candidatura ao governo do estado com proximidade da ala bolsonarista.
Rodrigo Pacheco, presente no PSD, trabalha para deixar a sigla e filiar-se ao União Brasil, visando possível candidatura ao governo de Minas. Lula afirmou apoio a Pacheco em Minas, em tom público recente, destacando a importância do estado para a reeleição.
Em São Paulo, o PSD tenta manter espaço ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab, secretário da Casa Civil paulista, chegou a ser cotado para a vice na chapa. O atual vice-governador Felício Ramuth (PSD) sustenta a posição estratégica da sigla, que encara pressão para migrar ao bolsonarismo.
Dirigentes do PSD reconhecem crescimento de bancada—com seis governadores e a segunda maior bancada no Senado—mas evidenciam que a força local não garante unidade política nacional. Em 2024, o PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos, reforçando sua presença em nível municipal.
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