- Congresso recebeu ações do grupo ligado ao Banco Master para tentar blindar investigações, com destaque para emendas, requerimentos e manobras regimentais, segundo relatos de bastidores.
- Em 2024, a emenda à PEC da autonomia financeira do Banco Central buscou ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, alvo de críticas por favorecer bancos médios como o Master; a proposta foi rejeitada pelo relator.
- A liquidação do Banco Master elevou o volume do FGC para cobrir depósitos e aplicações de clientes, com estimativa de até R$ 46,9 bilhões, e o grupo ligado ao banco inclui o Will Bank.
- Em setembro do ano passado, deputado apresentou requerimento para acelerar a tramitação de projeto que destitui presidentes e diretores do BC, movimento visto como pressão política diante das investigações sobre o Master; a iniciativa recebeu resistência de autoridades econômicas.
- No âmbito do Senado, há resistência à criação de uma CPI do Master; o alinhamento entre dirigentes de partidos do Centrão e o caso é visto como elemento de contenção política, enquanto a PF investiga aplicações no Master via Amprev e envolve membros da cúpula do Senado.
O Congresso recebeu ações coordenadas para blindar o caso envolvendo o Banco Master, na esteira de investigações do Banco Central e da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro. Parlamentares do Centrão atuaram com emendas, requerimentos e manobras regimentais, visando dificultar a CPI do Master.
O grupo, que passou a ser chamado de Bancada do Master, teve a primeira movimentação em 2024, quando o senador Ciro Nogueira apresentou emenda à PEC da autonomia do BC. A proposta elevava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de 250 mil para 1 milhão.
A ideia, criticada por ampliar proteção a bancos médios, foi rejeitada pelo relator. Mesmo assim, o tema alimentou debates sobre influência política ligada ao Master, cuja liquidação envolveu o fim de atividades após tentativas de venda ao BRB.
Em 2024, a liquidação do Master elevou o peso do FGC, com desembolsos que podem chegar a 46,9 bilhões para cobrir clientes atingidos pela estrutura, representando quase 40% da liquidez da instituição em junho de 2025.
O FGC era o principal vetor de captação do Master, conforme depoimentos. A defesa do banqueiro Vorcaro citou o modelo do banco como fortemente dependente do FGC, o que foi contestado por críticos.
Pressão sobre o BC e aceleração de projetos
Em setembro de 2024, antes da avaliação de uma possível aquisição do Master pelo BRB, o deputado Claudio Cajado pediu urgência para acelerar projeto que destitui presidentes e diretores do BC. O apoio rompeu fronteiras entre partidos.
A tentativa recebeu críticas de autoridades econômicas, que apontaram risco de intimidação institucional, justamente quando o BC investigava o Master. A ideia ganhou impulso com a proximidade de lideranças políticas ao caso.
A PEC da Blindagem, que ampliaria foro para dirigentes partidários, avançou na Câmara com apoio do Centrão, mas foi rejeitada no Senado. Parlamentares destacaram a coincidência com as investigações sobre o Master como indicativo de proteção institucional.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o associado à Amprev negaram envolvimento direto, mas a operação da PF envolvendo o superintendente da Amprev levou a novas perguntas sobre ligações entre a cúpula e o caso Master.
Renan Calheiros denunciou pressão de Centrão e de lideranças da Câmara sobre o TCU para não fiscalizar a liquidação do Master, acusando tentativas de influenciar decisões sobre o FGC e a compra pelo BRB.
A Amprev confirmou ter tomado medidas para reaver valores investidos e informou que bloqueou repasses à instituição. O grupo também envolve o irmão de Alcolumbre no conselho fiscal da Amprev.
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