- Emails revelados mostram que Robert F. Kennedy Jr. foi ao Samoa em 2019 com sinais de preocupação com a segurança das vacinas, contrariando versões dadas durante a sabatina no Senado.
- A divulgação sustenta acusações de que Kennedy mentiu aos senadores ao negar que a viagem tivesse relação com vacinas.
- O governador do Havaí, Josh Green, disse que Kennedy foi enganoso ao Congresso e sugeriu que ele deixe o cargo.
- O surto de sarampo em Samoa, iniciado em 2018 e declarado em outubro de 2019, deixou milhares de pessoas doentes e 83 mortes, principalmente de crianças pequenas.
- Os registros foram obtidos pela Guardian e pela Associated Press, a partir de uma ação judicial, e destacam que autoridades locais questionaram o impacto da viagem na credibilidade de defensores anti-vacina.
RFK Jr. é acusado de ter enganado o Senado durante o processo de confirmação, segundo mensagens recém-divulgadas. Documentos mostram que a embaixada dos EUA e a Organização das Nações Unidas discutiram a viagem dele a Samoa em 2019, vinculando-a à preocupação com a segurança das vacinas. Kennedy negou repetidamente, durante duas jornadas de sabatina, que o objetivo da visita estivesse ligado a vacinas.
As mensagens foram divulgadas pelo Guardian e pela Associated Press após obtenção via processo judicial. Elas sugerem que a visita ocorreu em meio a contatos com autoridades locais e grupos céticos, o que estaria relacionado ao aumento de desinformação sobre imunização na época.
Repercussões e posicionamentos
O governador do Havaí, Josh Green, que estava no estado em missão médica para conter a disseminação da doença, disse que a divulgação reforça a necessidade de transparência. Green afirmou que Kennedy não deveria manter o cargo caso tenha mentido ao Congresso.
Senadores que questionaram Kennedy na sabatina, como Ed Markey e Ron Wyden, condicionam críticas à possível violação de fidelidade ao Legislativo. Markey afirmou que Kennedy deve enfrentar consequências, citando risco à confiança pública nas políticas de vacinação.
Kennedy já enfrentava críticas por ter redesenhado recomendações federais de vacinas desde a nomeação, com debates sobre a segurança de diferentes imunizantes. O secretário de Saúde dos EUA, que reagiu à divulgação, defendeu manter políticas baseadas em evidências.
As autoridades Samoanas já tinham indicado que a viagem de Kennedy ocorreu pouco antes de um surto de sarampo, que afetou milhares de pessoas e resultou em dezenas de mortes, em sua maioria crianças com menos de cinco anos. A crise levou o país a intensificar campanhas de vacinação.
O material obtido também envolve outros relatos sobre o papel de Kennedy na manutenção de uma postura crítica em relação à vacinação. A divulgação ocorreu após decisões do governo federal sobre políticas de imunização, que seguem sob escrutínio público e parlamentar.
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