- Global Counsel, co-fundada por Peter Mandelson, atendeu a OpenAI em 2024, empresa que posteriormente firmou acordo com o governo britânico para explorar uso de IA e licenciou 2.500 cabeçalhos do ChatGPT para o Ministério da Justiça.
- OpenAI informou que o MoU com o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia e o acordo comercial com o Ministério da Justiça foram geridos por equipes londrinas, sem envolvimento da Global Counsel.
- Palantir, outra cliente da Global Counsel, tem contratos com o NHS e com o Ministério da Defesa que somam mais de £ 500 milhões.
- Mandelson foi nomeado embaixador no Washington após esses desdobramentos; não há indicação de envolvimento dele nos acordos da OpenAI com o governo britânico.
- Parlamentares pressionam para esclarecer como ocorreram os acordos com a Palantir, após uma reunião entre Starmer, Mandelson e o CEO da Palantir; o governo diz que divulgará materiais assim que possível.
OpenAI e Palantir, empresas dos EUA, constam como clientes da Global Counsel, firma de lobby cofundada e parcialmente controlada por Peter Mandelson. A atuação da consultoria ocorreu antes de acordos entre o governo britânico e as empresas para exploração de IA em serviços públicos.
Em 2024, a OpenAI foi cliente da Global Counsel, cuja atividade já havia sido registrada publicamente. No ano seguinte, Mandelson atuou como embaixador do Reino Unido em Washington, cargo em que acompanhou acordos entre o governo britânico e a OpenAI para ampliar o uso de IA em setores como justiça, segurança e educação.
No governo, a OpenAI fechou conosco acordo para desenvolver parcerias com o objetivo de ampliar o engajamento público com a tecnologia de IA. Em setembro, houve um segundo acordo para fornecer 2.500 licenças do ChatGPT a funcionários do Ministério da Justiça.
A Palantir, outra cliente da Global Counsel, já fechou contratos com o NHS e o Ministério da Defesa que somam dezenas de milhões de libras. A relação da firma com Mandelson divide opiniões entre defensores de maior transparência na influência de lobistas.
Críticas chegaram de grupos de fiscalização, que questionam se Mandelson poderia ter facilitado interlocuções com o governo para interesses de clientes de sua empresa. Autoridades de defesa negam qualquer influência do político nas decisões.
A OpenAI disse que seus acordos com o DSIT e o Ministério da Justiça foram geridos pela equipe de Londres e não dependeram da Global Counsel para contatar o governo. A empresa afirmou ainda que Mandelson não participou da negociação.
Segundo a Global Counsel, a empresa declarou publicamente todos os trabalhos relevantes de seus clientes e não teve papel na formação do MoU com o DSIT nem no acordo com o Ministério da Justiça. O governo britânico não comentou o assunto.
Parlamentares exigem clarificações sobre como os acordos com Palantir foram firmados, incluindo a reunião entre Starmer, Mandelson e o CEO da Palantir em Washington antes da adjudicação de contrato de defesa no valor de 241 milhões de libras, sem licitação aberta.
O Ministério da Defesa sustenta que o processo de aquisição foi justificado e que a decisão coube exclusivamente ao secretário de Defesa, John Healey. MPs pedem publicação de documentos e registros de reuniões para esclarecer a relação com Mandelson.
Entre na conversa da comunidade