- A Corte de Apelação de Roma confirmou a extradição de Carla Zambelli, descrevendo como organizou e executou a fuga do Brasil; sentença de 12 de fevereiro de 2026, depositada em cartório no dia 26 de março.
- O documento aponta planejamento familiar, apoio de terceiros e uma brecha nos controles aeroportuários italianos que permitiu a permanência da ex-deputada na Itália por semanas.
- Zambelli deixou o Brasil em 5 de junho de 2025 e chegou à Itália vindo de Miami, logo após a ordem de prisão do STF ter sido emitida; a Corte destacou a janela sem o alerta vermelho da Interpol nos sistemas italianos.
- A polícia italiana identificou uma rede de apoio para a latitância, considerada pela Corte como evidência de intenção de permanecer na Itália e de risco de nova fuga.
- A decisão determina a extradição ao Brasil para cumprimento de pena de 10 anos de reclusão por crimes de acesso abusivo a sistemas informáticos e falsidade ideológica contra CNJ e STF; o acordo prevê acesso consular, comunicação com advogados e informes sobre saúde e detenção.
A Corte de Apelação de Roma registrou a sentença de extradição envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli. O veredito foi proferido em 12 de fevereiro de 2026 e foi depositado em cartório no dia 26 de março. A decisão aponta que Zambelli organizou e executou a fuga do Brasil e permaneceu na Itália por semanas antes de ser presa.
O tribunal italiano baseou-se em investigações que indicam planejamento familiar, apoio de terceiros e uso de uma brecha nos controles aeroportuários. A defesa da ex-parlamentar afirmou que vai recorrer da decisão.
A história começa com a saída do Brasil em 5 de junho de 2025. Zambelli seguiu primeiro aos Estados Unidos e chegou à Itália vindo de Miami no dia seguinte à emissão da sentença de prisão pelo STF. Magistrados apontaram uma janela de alerta vermelho da Interpol não ter sido acoplada aos sistemas italianos no momento.
A Corte entendeu que houve passagem pela imigração sem detecção e que houve uma rede de apoio que sustentou a latitância. A conclusão reforça o risco de nova fuga caso a pessoa fosse libertada, conforme o documento.
Estrutura de permanência em Roma
Segundo o processo, foi locado um apartamento na Via Borghetto di Vara, 13, onde Zambelli vivia com o marido. O pai da ex-parlamentar, Salgado Joao Helio, também foi citado como presença no imóvel no momento da prisão, em 29 de julho de 2025. A defesa atribuiu a mudança de Miami para Roma aos custos de vida, não a uma estratégia de fuga.
A Corte, no entanto, entendeu que a mudança foi parte de uma estratégia coordenada para permanecer na Itália. A rede de apoio foi considerada elemento central para confirmar a intenção de se manter fora do alcance da Justiça brasileira.
Decisão e condições de entrega
A decisão determina a extradição de Zambelli ao Brasil para cumprimento de pena de 10 anos de reclusão e aplicação de multa. Os crimes atribuídos referem-se a acesso abusivo a sistemas informáticos e falsidade ideológica, entre 2022 e 2023, contra o CNJ e o STF.
O Brasil deverá assegurar acesso consular à ex-parlamentar, comunicação reservada com seus advogados e informes trimestrais sobre saúde e condições de detenção na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. A defesa já informou que pretende recorrer novamente.
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