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PF detalha ligações entre Toffoli, Vorcaro e repasses envolvendo resort

PF aponta ligações entre Toffoli e Vorcaro, com conversas sobre repasses envolvendo o resort Tayayá; relatório sigiloso entregue a Fachin pode abrir caminho para suspeição

Dias Toffoli é relator do Caso Master. As decisões do ministro têm gerado polêmica e pedidos de afastamento. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
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  • A Polícia Federal detalha ligações entre o ministro Dias Toffoli, do STF, e o banqueiro Daniel Vorcaro, apontando telefonemas, convite para festa de aniversário e conversas sobre repasses ligados ao resort Tayayá, da família de Toffoli.
  • O relatório, de cerca de 200 páginas e sob sigilo, foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, que pediu explicações a Toffoli e decidirá sobre possível suspeição do magistrado na relatoria do caso.
  • Segundo apuração do jornal O Globo, o documento não pede explicitamente afastamento, mas indica elementos que podem indicar incompatibilidade para Toffoli conduzir a relatoria.
  • Entre os pontos, há tratativas sobre a empresa Maridt, ligada aos Toffoli, proprietária do resort, que em 2021 vendeu participação a um fundo administrado por familiares de Vorcaro; Toffoli disse ter recebido valores da empresa, alegando repasses regulares por ser sócio.
  • A investigação envolve também a relação entre o resort Tayayá, o Cunhado de Vorcaro (um operador) e a transação com a Maridt, tema central das conversas apreendidas nos celulares de Vorcaro.

O relatório sigiloso da Polícia Federal sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, aponta telefonemas entre ele e o ministro Dias Toffoli, do STF, além de convites para festas e discussões sobre repasses ligados ao resort Tayayá, segundo apuração do jornal O Globo.

O material, de cerca de 200 páginas, foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, que solicitou explicações a Toffoli e poderá decidir sobre eventual suspeição do magistrado na relatoria do caso. A PF descreve indícios que alimentam dúvidas sobre a continuidade de Toffoli na comando da pauta.

Toffoli tratou as informações como ilações e questionou a possibilidade de afastamento com base no CPC, segundo a PF. O relatório, feito a partir de dados de cinco celulares de Vorcaro, não requer explicitamente a remoção, mas aponta elementos relevantes para avaliação de incompatibilidade.

Entre os itens relevantes estão falas sobre o resort Tayayá e sobre a empresa Maridt, ligada à família de Vorcaro por meio de participação societária. O ministro admite ter recebido valores da empresa, com alegação de repasses regulares por manter participação na companhia ao lado dos irmãos.

Até então, não havia confirmação pública de que Toffoli fosse sócio direto da Maridt. A relação entre a empresa ligada aos Toffoli e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, aparece como eixo central da apuração e é tema recorrente das conversas.

A atuação do ministro ganhou peso após decisões questionadas pela PF. Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Vorcaro para levar o caso ao STF, citando o foro do deputado Bacelar, o que gerou críticas internas na PF.

No dia em que o sigilo foi decretado, Toffoli viajou ao Peru para a final da Libertadores, em avião de empresário do Master. Em seguida, centralizou no STF a custódia das provas, exigiu acareação e elaborou perguntas aos investigados, prática incomum.

O ministro restringiu inicialmente o acesso da PF a materiais e só depois autorizou atuação do MPF, com perícia limitada a quatro agentes. Por fim, reduziu prazos de depoimentos e definiu novo cronograma, medida vista como restritiva pela corporação.

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