- Investigadores da Polícia Federal relatam aumento de pressão direta e indireta do gabinete do ministro Dias Toffoli desde o fim do ano passado, intensificando no início de 2026, no caso Master e BRB.
- Relatórios internos apontam perguntas informais do gabinete à PF sobre conteúdos encontrados nos aparelhos de Daniel Vorcaro e indicam possível conflito de interesses na relatoria de Toffoli.
- Toffoli determinou que a PF encaminhasse integralmente os dados e laudos de celulares apreendidos, para a Corte, sob o argumento de garantir contraditório e devido processo legal.
- A transmissão de provas passou a acompanhar decisões que movem a custódia para a Procuradoria-Geral da República, em vez da sala da PF, com peritos da PF atuando no ambiente da PGR.
- Pontos de tensão incluíram divergências sobre depoimentos de Vorcaro, demandas de prazos curtos para o andamento das diligências e mensagens entre Vorcaro e Toffoli, além de discussões sobre a relação entre direitos, investigações e influências de terceiros no caso.
Investigadores da Polícia Federal (PF) e servidores de órgãos envolvidos nas investigações do caso Master relatam aumento de pressão do gabinete do ministro Dias Toffoli, no STF, desde o fim de 2025. A atuação envolve desde sondagens informais até a escolha de profissionais para acompanhar as provas.
A PF aponta que pessoas ligadas ao gabinete questionaram, de forma informal, o que havia sido encontrado nos aparelhos de Daniel Vorcaro. Acompanhamentos das evidências têm sido motivo de tensão entre as instituições, segundo as fontes.
Na segunda-feira, o diretor da PF entregou ao presidente do STF um relatório com indícios de possível conflito de interesses na relatoria de Toffoli. O documento cita ligações entre Vorcaro e Toffoli, além de um convite para o aniversário do ministro.
Contatos entre Vorcaro e Toffoli
Foram verificadas ligações telefônicas entre Vorcaro e Toffoli e mensagens que sugerem proximidade entre eles. Trechos de conversas apontariam diálogos cifrados sobre supostos pagamentos ao ministro. Toffoli negou qualquer relação de amizade com o investigado.
Após a repercussão, Toffoli determinou que a PF envie o conteúdo completo de todos os celulares apreendidos ao STF. A decisão visa atender às defesas e assegurar contraditório e devido processo.
O caso envolve investigação de supostas fraudes de cerca de R$ 12 bilhões na venda do Master ao BRB. Decisões do relator foram interpretadas por investigadores como restrições à atuação da PF.
Pressões operacionais e prazos
Relatos indicam que, em janeiro de 2026, Toffoli prorroga a investigação por mais 60 dias, exigindo depoimentos críticos em apenas dois dias. A equipe considerou o prazo exíguo para uma apuração complexa, com grande volume de dados e perícias.
Outro ponto de atrito ocorreu quando materiais apreendidos passaram a ficar sob custódia do STF. Em novo despacho, Toffoli ordenou o envio dos dados à PGR para obter uma visão sistêmica dos supostos crimes, reduzindo a guarda direta da PF sobre as provas.
Diligências e peritos
Para preservar a integridade das provas, Toffoli autorizou que quatro peritos da PF atuassem na PGR, sob supervisão do gabinete. A escolha gerou críticas entre investigadores, que viram a medida como restrição de acesso aos dados brutos.
Para esclarecer o andamento, o ministro afirmou que a medida buscava manter a cadeia de custódia e a supervisão judicial. A PF argumenta que a centralização pode dificultar análises técnicas independentes.
Transferência do caso para o STF
A apuração, que começou na Justiça Federal de São Paulo, foi levada ao STF sob relatoria de Toffoli, escolhido por sorteio. Em janeiro, Toffoli criticou suposta demora da PF em diligências. As críticas alimentaram o debate sobre centralização das investigações.
Internamente, investigadores classificaram as mudanças como aumento de vigilância e controle sobre a condução do inquérito. O ambiente entre PF e o gabinete tornou-se mais tenso com o tempo.
Depoimento de Vorcaro e desdobramentos
Durante o depoimento de Vorcaro, houve divergência sobre a forma de condução dos trabalhos. A delegada defendia acareação imediata; o gabinete, por meio de Toffoli, orientou que perguntas fossem feitas como se partissem dele. O episódio elevou o nível de atrito entre as partes.
Relatórios indicam que a delegada contestou a ideia de que as perguntas deveriam partir do ministro, mantendo a PF como responsável pelo interrogatório. Essa mudança de orientação foi considerada um ponto crítico do atrito.
Evidências no celular de Vorcaro
Entre as evidências, constam mensagens que mencionam Toffoli, contatos entre Vorcaro e o ministro e um convite para evento social. Também aparecem referências a operações envolvendo o resort Tayayá e a participação de familiares do empresário em estruturas societárias.
O relatório não formalizou pedido direto de suspeição de Toffoli, mas citou que elementos podem ser relevantes para avaliação de conflito de interesses. A defesa de Vorcaro ressaltou a necessidade de evitar vazamentos que prejudiquem o contraditório.
Pagamentos ligados ao resort Tayayá
Investigadores observam pagamentos de uma empresa associada ao resort Tayayá, ligados ao grupo Master. Toffoli confirmou participação societária na empresa Maridt, administrada por parentes, e que valores recebidos seriam regulares enquanto não houver função de gestão. O gabinete afirma que a Maridt deixou o grupo Tayaya Ribeirão Claro em 2025.
A PF analisa a origem das transações citadas, destacando a possível relação entre relações empresariais privadas e a apuração judicial. O relatório entregue ao STF aponta divergências históricas como justificativa para manter o escrutínio.
Controle institucional e credibilidade
No ambiente institucional, investigadores defenderam a necessidade de manter a credibilidade da apuração diante de lógicas de equilíbrio entre órgãos. O gabinete do ministro reiterou que as decisões buscam o devido processo legal e não representam intervenção indevida.
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