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Desfile em homenagem a Lula pode configurar propaganda eleitoral, diz Mendonça

TSE alerta para possível confusão entre arte e propaganda em desfile da Acadêmicos de Niterói, com potencial investigação por abuso de poder

André Mendonça disse que uso sons e imagens que remetam à disputa eleitoral pode configurar "violação à paridade de armas e confusão entre o que é artístico e o que é propaganda eleitoral vedada" em votação de ação contra samba-enredo que homenageia Lula em desfile no Rio (Foto: Luiz Roberto/TSE)
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  • O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói pode configurar propaganda eleitoral se houver confusão entre o que é artístico e o que é propaganda.
  • Mendonça votou pela rejeição de liminares contra o enredo, acompanhando a relatora Estela Aranha, e indicou que, se houver configuração de propaganda, pode haver investigação de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.
  • O ministro destacou três fatores que justificam o alerta: o homenageado é o presidente da República e já informou que disputará a reeleição; o ano é eleitoral; e o carnaval é uma festa de grande alcance e repercussão.
  • Ele também ressaltou que recursos públicos, na casa de milhões de reais, estariam sendo destinados à escola de samba e que o uso de sons, imagens, faixas e jingles que remetam à disputa eleitoral pode violar a paridade de armas e gerar confusão entre artístico e eleitoral.
  • Planalto orientou ministros a evitar gestos políticos no desfile; a presidente do TSE afirmou que a decisão não autoriza abusos, apenas indeferiu a liminar, mantendo o processo em andamento.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, avaliou que o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, que presta homenagem ao presidente Lula, pode gerar confusão entre o que é artístico e o que é propaganda eleitoral. A declaração ocorreu nesta semana e envolve o contexto de um ano eleitoral.

Acompanhando a relatora Estela Aranha, Mendonça votou pela rejeição de liminares contra o enredo da escola. Contudo, afirmou que, configurando propaganda eleitoral, haveria possibilidade de investigação por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.

O ministro destacou que o probável uso de recursos públicos e a ampla cobertura midiática do Carnaval podem ampliar o risco de distorcer a percepção do público sobre a finalidade da manifestação, mesmo que haja traços culturais na homenagem.

O que está em jogo juridicamente

A defesa aponta que o ato tem natureza cultural, mas há pontos fáticos que, segundo Mendonça, merecem atenção além da propaganda eleitoral. O homenageado ocupa o cargo de presidente e sinalizou a intenção de concorrer à reeleição, em ano eleitoral marcado.

O Carnaval, com alcance nacional e internacional, envolve grande mobilização de meios de comunicação. A decisão citada envolve aspectos de paridade de armas e possíveis distorções entre arte e política, na avaliação do ministro.

O contexto inclui que recursos públicos, na casa de milhões de reais, seriam destinados à escola de samba, o que intensifica o debate sobre limites entre manifestação artística e finalidade eleitoral.

Detalhes da letra e participação

A Acadêmicos de Niterói abrirá o desfile com o samba-enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, às 21h45 deste domingo. A primeira-dama Janja da Silva participou de ensaio técnico recente e pode compor participação no desfile.

O presidente deve acompanhar a apresentação a partir do camarote da prefeitura do Rio no Sambódromo, conforme agenda oficial. A canção traz referências a martinhos históricos de campanha, além de alusões a números simbólicos do PT.

Trechos da letra contêm referências implícitas a Bolsonaro, o que reforça o tom político do enredo para parte do público, segundo análises associadas ao debate público sobre o tema.

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