- Investigação da Polícia Federal e do Ministério Público aponta possível pressão externa sobre Jocildo Lemos para aprovar aportes de R$ 400 milhões no Banco Master, feitos pela Amapá Previdência.
- Jocildo Lemos era aliado político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e foi indicado para chefiar a Amprev; buscas foram realizadas em setembro de 2025.
- Os aportes ocorreram em três reuniões entre 12 e 30 de julho de 2024, totalizando os R$ 400 milhões, mesmo com avaliações técnicas classificando risco elevado.
- Documentos de credenciamento teriam sido copiados de outros fundos e elaborados pelo próprio banco, levantando suspeitas de negligência na avaliação de risco pela Amprev.
- A Amprev afirma ter tomado medidas judiciais para ressarcimento com relação ao Banco Master, que teve liquidação anunciada, e diz que investimentos representam 4,7% da carteira, assegurando pagamento aos segurados até 2059.
O caso envolve aportes de 400 milhões de reais da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master e investiga se o ex-presidente Jocildo Lemos foi pressionado ou induzido a aprovar as operações. A apuração é conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público estadual.
A indagação central mira three pontos: houve influência externa na decisão? o processo foi acelerado para evitar questionamentos técnicos? e se o credenciamento e as diligências foram suficientes para resguardar os recursos dos servidores.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, há auditoria do Ministério da Previdência Social, compartilhada com a PF, que aponta indícios de influência externa na condução dos investimentos no Master, ligado a Daniel Vorcaro.
O episódio ganhou dimensão após Lemos afirmar, durante reunião de aprovação do primeiro aporte de 200 milhões, que a decisão havia “tirado um peso das costas”. A fala, registrada em áudio mas não na ata, é analisada como possível indicativo de influência no processo decisório.
Jocildo Lemos foi indicado ao cargo com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega relação com os investimentos. O ex-tesoureiro da campanha de reeleição de Alcolumbre em 2022 não respondeu ao pedido de entrevista.
A Amprev aprovou, entre 12 e 30 de julho de 2024, três aportes que somam 400 milhões de reais, em reuniões consecutivas. O uso de caixa do fundo e a avaliação de risco foram questões centrais entre conselheiros.
A PF realizou buscas e apreensões em 6 de agosto de 2024, envolvendo Lemos, outros conselheiros e a sede da Amprev, em ações vinculadas à operação no Master.
Documentos e credenciamento sob suspeita
Investigações apontam que o credenciamento do Banco Master para fundos de pensão foi feito com documentos padronizados, idênticos aos de outros fundos, sem avaliação técnica aprofundada de riscos.
A assessoria do Master não se pronunciou. Técnicos da Amprev teriam admitido que a documentação foi elaborada pelo banco e aproveitada pela autarquia, o que gerou questionamentos sobre governança.
A linha de investigação considera a possibilidade de pressão política ou institucional sobre Lemos para aprovar os aportes, ainda sem provas de coação. Também é examinada a atuação de um conselheiro que liderou a defesa dos investimentos, investigado por irregularidades em outro fundo.
Separadamente, o Tribunal de Justiça do Amapá afastou, em setembro de 2025, um membro do comitê de investimentos enquanto tramitava processo relacionado à gestão anterior. A Amprev não houve cumprir a decisão na época.
Notas oficiais
Amapá Previdência informou que tomou medidas judiciais para reparação de prejuízos e que os investimentos no Master, aprovados pelo Banco Central, representam 4,7% da carteira. A instituição reforça o compromisso com a proteção do patrimônio dos segurados.
Lemos abriu mão do cargo, em junho de 2024, afirmando buscar apuração independente e responsabilização dos culpados. A Amprev destacou que o patrimônio cresceu sob sua gestão, mas reforçou que a auditoria continua para esclarecer as responsabilidades.
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