- O pastor Oliver Costa Goiano, coordenador nacional dos evangélicos do PT, classificou a fantasia da académicos de Niterói sobre “família em conserva” como excesso.
- Ele afirmou que evangélicos não definem voto pelo Carnaval e que a festa não é referência para o público evangélico, que não acompanha desfiles.
- Goiano destacou que a preocupação deve ser com excessos em eventos como a Marcha para Jesus, considerando a igreja como terreno de fé e não de militância.
- Disse que há instrumentalização da fé pela direita e que fiéis não devem ser obrigados a votar de acordo com posicionamentos religiosos, respeitando quem pensa diferente.
- O pastor também discordou de um padre que criticou Nikolas Ferreira, afirmando que a igreja não pode excluir fiéis com base em voto e que a igreja é do alto, não de esquerda nem de direita.
Houve críticas de um líder religioso a uma fantasia apresentada por uma ala da Acadêmicos de Niterói durante desfiles, destacando a ideia de uma família em conserva. O pastor Oliver Costa Goiano, coordenador nacional do núcleo de evangélicos do PT, classificou a fantasia como excessiva em tom de provocação.
Goiano afirmou em entrevista ao UOL que não vê risco de impacto eleitoral do PT entre evangélicos. Segundo ele, esse grupo não costuma definir voto com base no Carnaval, pois o desfiles não é foco de sua adesão política. A leitura é de que a festa não dialoga com o cotidiano de muitos fiéis.
Fantasia criticada
A ala alvo da polêmica foi entre as mais duramente criticadas por bolsonaristas. A escola afirmou que a fantasia representava a chamada família tradicional, enquanto Goiano disse ter ficado incomodado com a mensagem e mencionou a diversidade de estruturas familiares como parte do recado da ala.
O pastor reforçou que o Carnaval não é determinante para o voto de evangélicos, destacando que muitos não acompanham as escolhas políticas durante a folia. Afirmou ainda que a visão da agremiação representa apenas uma leitura da família conservadora, não ligando o gesto ao PT.
Instrumentalização da fé
Goiano afirmou que uma das missões do núcleo evangélico do PT é combater a instrumentalização da fé, que pode gerar pânico moral entre fiéis. Ele disse que a fé precisa respeitar diferentes religiões e orientações, sem impor princípios a toda a população.
Ele destacou que defender princípios cristãos é aceitável, desde que haja respeito à pluralidade religiosa. Apontou que políticas públicas devem considerar direitos de pessoas de diversas religiões e orientações sexuais.
Contexto recente
O pastor também comentou sobre debates envolvendo a relação entre igreja e política no Brasil. Questionou episódios de polarização apresentados em eventos evangélicos, comparando com a militância de extremas direita em espaços religiosos.
A entrevista citada ocorreu no contexto de acentuadas discussões sobre o papel da fé na política e sobre a forma como símbolos culturais podem influenciar consensos eleitorais, especialmente envolvendo o PT e setores evangélicos.
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